Internacional

Macron e Scholz vão reunir os dois governos nos 60 anos do Tratado do Eliseu

20 janeiro 2023 8:48

Olaf Scholz e Emmanuel Macron

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O Tratado do Eliseu deu origem ao "eixo franco-alemão", descrito como o motor político do processo que originou a atual União Europeia. O programa que assinala os 60 anos do acordo inclui um conselho de ministros conjunto

20 janeiro 2023 8:48

O Presidente francês, Emmanuel Macron, e o chanceler alemão, Olaf Scholz, vão assinalar o 60.º aniversário do Tratado do Eliseu, no domingo, com um programa que inclui um conselho de ministros conjunto.

O tratado com o nome do palácio presidencial francês foi assinado a 22 de janeiro de 1963, em Paris, pelos então chefe de Estado da França, Charles de Gaulle (1890-1970), e de Governo da Alemanha Ocidental, o chanceler Konrad Adenauer (1876-1967).

O acordo, considerado como um exemplo de reconciliação entre antigos inimigos, estabeleceu mecanismos de consulta e cooperação em política externa, integração económica e militar, e intercâmbio de formação de estudantes.

O entendimento entre os dois países viria a influenciar a integração europeia nas décadas seguintes, no que ficou conhecido como o "eixo franco-alemão", descrito como o motor político do processo que originou a atual União Europeia (UE).

Numa declaração conjunta divulgada após a assinatura do tratado, De Gaulle e Adenauer defenderam que uma "cooperação mais estreita" entre os dois países seria um "passo indispensável para a Europa unida".

Disseram também que o tratado significava a "reconciliação dos povos alemão e francês, pondo fim a uma rivalidade secular", e constituía "um "acontecimento histórico" que iria "transformar profundamente as relações entre os dois povos".

"Os dois Governos consultar-se-ão mutuamente, antes de qualquer decisão, sobre todas as questões importantes de política externa", segundo os termos do tratado.

No texto assinado por Charles de Gaulle (então com 72 anos) e Konrad Adenauer (87), as duas partes comprometeram-se a que os respetivos chefes de Estado e de Governo se reunissem pelo menos duas vezes por ano, estabelecendo mecanismos de diálogo ao mais alto nível.

O tratado foi assinado no contexto da Guerra Fria, com a parte oriental da Alemanha na esfera da então União Soviética, e em que os Estados Unidos lideravam a oposição a Moscovo.

A construção europeia também estava em curso com a criação da Comunidade Económica Europeia (CEE), antecessora da UE, através do Tratado de Roma, de 25 de março de 1957.

A França e a então República Federal da Alemanha, ou Alemanha Ocidental, assinaram o Tratado de Roma juntamente com Itália, Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo.

Com a queda do Muro de Berlim, em 1989, e a dissolução da União Soviética, dois anos depois, a UE viria a conhecer sucessivos alargamentos, incluindo a Leste, até aos 27 Estados-membros atuais.

Sessenta anos depois do Tratado do Eliseu, a UE continua dependente dos Estados Unidos em termos de defesa, através da NATO, e vive a mais grave crise de segurança desde 1945, com o conflito na Ucrânia, país que pediu a adesão ao bloco.

"Com a guerra na Ucrânia descobrimos que esta dupla franco-alemã, que dava um sentido à Europa desde o 'Brexit' [saída do Reino Unido da UE], foi fortemente criticada por todos os países de Leste", disse à agência Lusa, em outubro do ano passado, a cientista política francesa Delphine Deschaux-Dutard.

"Estes países querem agora ter uma palavra a dizer na Europa", acrescentou.