Internacional

Ministra da Defesa da Alemanha apresenta demissão a poucos dias de reunião internacional sobre armamento a enviar para a Ucrânia

16 janeiro 2023 10:29

Tiago Soares

Tiago Soares

Jornalista

Christine Lambrecht, ministra da Defesa, foi o rosto e a voz da mudança da Alemanha relativamente ao apoio militar à Ucrânia

boris roessler / getty images

Christine Lambrecht era uma das aliadas mais próximas de Olaf Scholz, mas não resistiu a meses de polémicas. Chanceler tem agora de mexer numa pasta crítica do executivo, numa altura em que está a ser pressionado pelo Ocidente para ceder tanques alemães à Ucrânia

16 janeiro 2023 10:29

Tiago Soares

Tiago Soares

Jornalista

A ministra da Defesa da Alemanha apresentou a demissão esta segunda-feira. Christine Lambrecht, de 57 anos, pediu para sair do Governo após várias polémicas e numa altura decisiva quanto ao envio de armas para a Ucrânia.

Segundo a Bloomberg, que cita o comunicado oficial de Lambrecht, a ex-governante aponta o escrutínio da comunicação social ao seu trabalho como uma distração e a principal razão para a sua saída.

Lambrecht é militante do Partido Social Democrata (SPD) e foi escolhida pessoalmente por Olaf Scohlz, de quem era tida como uma das aliadas mais próximas no Governo. Scholz já a tinha escolhido para vice quando era o número dois de Angela Merkel, e tem-se mantido ao lado dela durante as últimas semanas de críticas mediáticas.

Na sexta-feira, surgiram relatos de que estaria prestes a pedir a demissão, mas o Executivo alemão não quis fazer comentários.

Num momento em que a Alemanha está a ser pressionada por vários países ocidentais para ceder tanques de assalto Leopard à Ucrânia, esta demissão aumenta a instabilidade na coligação “semáforo” (entre SPD, Verdes e Liberais) que governa o país.

Cabe agora ao SPD escolher um sucessor para a pasta da Defesa, sendo que está marcada para o próximo dia 20 uma reunião entre os países aliados da Ucrânia para discutir o envio de armamento para combater a ocupação russa. Espera-se que Berlim anuncie uma decisão em relação ao envio de tanques antes do encontro, que se vai realizar na base aérea norte-americana de Ramstein, na Alemanha.

Para já, há dois nomes que estão a ser apontados como possíveis sucessores de Lambrecht: Eva Högl, presidente da comissão parlamentar das Forças Armadas; e Siemtje Möller, deputada e atualmente secretária de Estado da Defesa. Ambas as mulheres são militantes do SPD.

Antes de ser ministra da Defesa, Lambrecht foi ministra da Justiça, secretária de Estado do Ministério das Finanças (com Scholz), e líder da bancada parlamentar do SPD. Apesar da vasta experiência política, foi questionada praticamente desde que assumiu a Defesa, em 2021.

Na sua primeira entrevista no cargo, em dezembro desse ano, admitiu que tinha dificuldades em perceber a sequência das patentes militares. A guerra da Ucrânia começou poucos meses depois, o que não diminuiu a pressão sobre a governante: foi várias vezes criticada pela parca ajuda militar enviada a Kiev, tendo mostrado dificuldades para gerir o fundo de investimento militar de 100 mil milhões de euros anunciado por Scholz (e que promete transformar a Alemanha num dos maiores exércitos do mundo).

A gaffe que a afastou definitivamente do cargo terá ocorrido na noite da passagem de ano, quando afirmou que a guerra na Ucrânia facilitava as suas interações com “muitas pessoas interessantes e excelentes”.