Internacional

Passado colonial e esclavagista não se apaga. Como lidar com recantos obscuros da História?

15 janeiro 2023 10:22

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

Mercado de escravos africano representado numa gravura de 1855

getty images

Um simpósio internacional pode ser a primeira oportunidade para iluminar o passado global das nações nos seus aspetos difíceis como a raça e a escravatura

15 janeiro 2023 10:22

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

“É incrível como isto só está a acontecer agora!”, comenta uma participante entre os muitos, na maioria historiadores, que esgotam os lugares do anfiteatro do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa para o simpósio de dia inteiro “Acertando Contas com o Racismo: a Memória Social do Comércio de Escravos”.

Tinha acabado de falar o palestrante que discorreu sobre as memórias físicas da escravatura na ilha de Moçambique, durante a sessão “Escravatura e Memória no Mundo Lusófono”. Não era certo se o espanto fora provocado pela enumeração dos símbolos esclavagistas existentes naquele lugar mítico, que se cruza com o passado colonial português, ou pela qualidade do pensamento acabado de expor, no qual se propunham novos empregos para o legado naqueles mesmos espaços.