Internacional

Londres adota sanções contra procurador-geral do Irão por execução de britânico-iraniano

14 janeiro 2023 16:51

“Abaixo os EUA”, lê-se na tribuna onde o Presidente iraniano, Ebrahim Raisi, discursou a 4 de novembro sobre o 43º aniversário do início da crise dos reféns na embaixada americana em Teerão

atta kenare / afp / getty images

“Ao colocá-lo sob sanções hoje, enfatizamos a nossa repulsa pela execução de Alireza Akbari”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, James Cleverly, sem concretizar as medidas tomadas

14 janeiro 2023 16:51

O Reino Unido anunciou hoje ter adotado sanções contra o procurador-geral de Justiça do Irão para demonstrar a repulsa de Londres face à execução do britânico-iraniano Alireza Akbari, acusado de espionagem.

“Ao colocá-lo sob sanções hoje, enfatizamos a nossa repulsa pela execução de Alireza Akbari”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, James Cleverly, sem concretizar as medidas tomadas.

“Exigimos responsabilização do regime [iraniano] pelos seus terríveis abusos aos direitos humanos”, sublinhou.

O Irão já tinha demonstrado insatisfação com a reação de Londres à execução, convocando o embaixador do Reino Unido em Teerão depois de o primeiro-ministro britânico ter classificado o ato como “cruel e cobarde” e admitido estar “horrorizado”.

“Em resposta às intervenções nada convencionais do Reino Unido (...), o embaixador desse país em Teerão foi convocado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros”, avançou o Governo do Irão em comunicado, criticando o apoio de Londres a “um espião”.

Na sua conta de Twitter, o primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, considerou ter-se tratado de “um ato cruel e cobarde, levado a cabo por um regime bárbaro que não respeita os direitos humanos do seu próprio povo”.

Declarando-se “chocado” com a execução, Rishi Sunak enviou as suas condolências aos “amigos e família” de Alireza Akbari, um antigo funcionário iraniano que chegou a vice-ministro da Defesa do Irão.

Também a França avançou ter convocado o encarregado de negócios da embaixada iraniana em Paris para expressar indignação pela execução.

Condenando “com a maior firmeza” a morte do iraniano-britânico pelo Estado iraniano, o Ministério dos Negócios Estrangeiros francês alertou Teerão de que “as repetidas violações do direito internacional pelo Irão não podem ficar sem resposta sobretudo quando se trata de cidadãos estrangeiros cidadãos que o país detém arbitrariamente”.

A Amnistia Internacional já tinha igualmente condenado o “hediondo ataque” do Irão ao “direito à vida”, afirmando, no Twitter, que “a execução de Alireza Akbari pelas autoridades iranianas esta manhã é mais um ataque abominável ao direito à vida".

A organização humanitária pediu ainda ao Governo britânico para que “investigue totalmente” as acusações de que Alireza Akbari terá sido torturado.

As autoridades judiciais iranianas anunciaram na quarta-feira a condenação à morte do ex-vice-ministro - embora se desconheça quando foi condenado -, por “espionagem para o MI6” em troca de “1.805.000 euros, 265.000 libras e 50.000 dólares norte-americanos”, de acordo com os meios de comunicação semioficiais Mehr.

A República Islâmica do Irão tem sido acusada de utilizar prisioneiros de dupla nacionalidade em particular, mas também de outros países, como medida de pressão ou para o intercâmbio de prisioneiros com outros países.

Estes atos têm sido classificados por outros países e organizações de direitos humanos como a "diplomacia dos reféns" do Irão.

Segundo a agência do poder judicial iraniano, designada como Mizan, Alireza Akbari, que ocupou o cargo de vice-ministro da Defesa durante o mandato do ex-presidente reformista Mohamed Katami (1997/2005), foi executado por enforcamento.

O condenado, de 61 anos, que foi detido há três anos, recorreu da sentença ao Supremo Tribunal Federal, que rejeitou o recurso.

As autoridades iranianas divulgaram um vídeo, visivelmente editado, onde Akbari discutia as alegações, semelhantes a outros vídeos que dissidentes têm descrito como confissões forçadas.

Na sexta-feira, tanto o Reino Unido como os Estados Unidos criticaram a condenação de Akbari à morte.