Internacional

Governo brasileiro nega privação de direitos a suspeitos "de terrorismo"

10 janeiro 2023 22:17

adriano machado/reuters

Em vídeos disseminados em aplicações e redes sociais, os detidos dizem estar sem alimentação nem água, embora alguns tenham publicado mensagens mostrando que receberam alimentos que consideraram de má qualidade

10 janeiro 2023 22:17

O Governo brasileiro negou esta terça-feira que esteja a privar os direitos às pessoas detidas em Brasília "suspeitas de terrorismo". O Governo "nega, de forma veemente, que pessoas que se encontram detidas na Academia Nacional de Polícia (ANP), em Brasília, suspeitas de terrorismo nas sedes dos Três Poderes, estejam sendo privadas de seus direitos básicos", indicou, em comunicado o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Este comunicado surge depois de nas redes sociais, 'bolsonaristas' detidos denunciarem suposto tratamento desumano que estariam a receber da Polícia Federal brasileira desde segunda-feira, quando foram encaminhados para um pavilhão para que fossem identificados e ouvidos.

Em vídeos disseminados em aplicações e redes sociais, os detidos dizem estar sem alimentação nem água, embora alguns tenham publicado mensagens mostrando que receberam alimentos que consideraram de má qualidade.

Há também veiculação de informações falsas sobre a morte de uma mulher idosa que teria ocorrido no local, o que já foi negado pela Polícia Federal.

"A Polícia Federal informa que é falsa a informação de que uma mulher idosa teria morrido na data de hoje (9/1) nas dependências da Academia Nacional de Polícia", disse a organização policial, numa mensagem publicada no Twitter.

O ex-vice-presidente brasileiro, Hamilton Mourão, em resposta aos vides, criticou a forma como estarão a ser tratados os manifestantes radicais que invadiram e vandalizaram as sedes dos três poderes em Brasília, no domingo.

"A detenção indiscriminada de mais de 1.200 pessoas, que hoje estão confinadas em condições precárias nas instalações da Polícia Federal em Brasília, mostra que o novo Governo, coerente com suas raízes marxistas-leninistas, age de forma amadora, desumana e ilegal", denunciou o vice-presidente do Governo de Jair Bolsonaro, que deixou o cargo no último dia do ano de 2022.

O Ministério dos Direitos Humanos já reagiu dizendo estar em sintonia com a postura adotada pelo Presidente brasileiro, Lula da Silva, "e pelos chefes dos demais poderes no sentido de dar aos atos golpistas - e à frustrada tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito - o mais rigoroso tratamento, nos termos da Lei e da Constituição Federal".

"Como a história tem mostrado, golpistas são, invariavelmente, violadores de direitos humanos e detratores da cidadania. A verdadeira defesa dos direitos humanos, portanto, exige o repúdio ao golpismo e à violência promovida por grupos antidemocráticos e orientados pelo fascismo", detalhou.