Internacional

Irão executa dois prisioneiros condenados por alegado homicídio durante protestos. UE manifesta “horror”, EUA condenam “veementemente”

7 janeiro 2023 18:30

Manifestantes da comunidade iraniana portuguesa protestam em frente à Assembleia da República, na sequência da condenação à morte e execução pública pela República do Irão de dois jovens manifestantes, Mohsen Shekari e Majidreza Rahnavard, por participação em manifestações contra o regime, em Lisboa, 16 de dezembro de 2022.

antónio pedro santos/lusa

O Irão executou este sábado dois prisioneiros condenados à morte pelo alegado assassínio de um agente da segurança durante os protestos que têm abalado o país. A União Europeia, disse uma porta-voz numa conferência de imprensa em Bruxelas, está "horrorizada" com as mortes de Mohammad Mehdi Karami e Seyyed Mohammad Hossein

7 janeiro 2023 18:30

O Irão já mandou matar quatro manifestantes desde que os protestos contra a rigidez das regras morais no país trouxeram para a rua milhares de pessoas por todo o país, há três meses. Pelo menos mais 41 pessoas têm penas de morte decretadas, segundo uma investigação da CNN e do grupo de recolha de informação sobre os prisioneiros do regime iraniano 1500Tasvir.

Mohammad Mehdi Karami e Mohammad Hosseini foram executados esta manhã cedo pelo homicídio de Seyed Ruhollah Ajamian, um basiji - membro de milícia islâmica - em novembro, durante as manifestações que se seguiram à morte da jovem curda iraniana Mahsa Amini, de 22 anos, e que que se transformaram num dos mais sérios desafios ao regime teocrata do Irão, instalado pela Revolução Islâmica de 1979.

Mohammad Hossein Aghasi, um advogado que defende Karami, escreveu no Twitter que Karami não pôde falar com a família antes de ter sido enforcado, este sábado de manhã, um direito que a lei lhe confere.

Karami, de 21 anos, era um campeão iraniano-curdo de artes marciais, juntando-se à seleção juvenil iraniana e que chegou a vencer o campeonato nacional de karaté. Seyyed Mohammad Hosseini, 20, ajudava jovens carenciados e encontrar emprego e sair de disutações de dependência. Os pais destes e de outros jovens presos e já com sentenças proferidas têm recorrido às redes sociais e às organizações não-governamentais para pedir ao regime que não execute os condenados mas até agora sem resultados.

A União Europeia que, juntamente com os Estados Unidos e outros países ocidentais, mantêm o Irão sob um regime de sanções por causa dos programas nucleares dos quais Teerão não quer abdicar, já se manifestações sobre o que acontece. "A UE denuncia um novo sinal de repressão violenta das manifestações e apela uma vez mais às autoridades iranianas para que ponham imediatamente termo à prática altamente condenável de pronunciar e executar sentenças de morte contra os manifestantes", referiu, em conferência de imprensa em Bruxelas, Nabila Massrali, porta-voz do chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell.

Nesse sentido, a UE exige também o "cancelamento imediato das restantes sentenças de morte já proferidas no âmbito das manifestações", acrescenta a porta-voz.

Nestes mais de três meses de protestos, fortemente reprimidos pelas autoridades iranianas, mais de 500 pessoas já foram mortas e pelo menos 15.000 detidas, segundo a organização não-governamental Iran Human Rights.

EUA condenam “veementemente”

Os Estados Unidos da América também reagiram à execução deste sábado, condenando “veementemente” a execução dos dois homens.

“Condenamos veementemente o julgamento e execução no Irão de Mohammad Mehdi Karami e Mohammad Hosseini”, adiantou o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Ned Price, na rede social Twitter.

“Estas execuções são um elemento fundamental da estratégia do regime para suprimir os protestos” que estão em curso no país há meses, salientou Ned Price.

Com estas execuções subiu para quatro o número de manifestantes enforcados.

Desde o início dos protestos, 14 pessoas foram condenadas à morte no âmbito dessas manifestações, segundo uma nota da agência France-Presse baseada em informações oficiais.

Destes, quatro foram executados, dois tiveram as suas sentenças confirmadas pelo Supremo Tribunal, seis aguardam novo julgamento e outros dois podem recorrer.