Internacional

Confrontos entre manifestantes curdos e polícia em Paris após ataque a tiro

23 dezembro 2022 15:59

sarah meyssonnier

Os confrontos começaram quando os manifestantes se depararam com um cordão de agentes policiais que protegiam o ministro da Administração Interna francês. Gérald Darmanin deu uma conferência de imprensa na sequência do tiroteio, esta sexta-feira de manhã, num centro cultural curdo em Paris

23 dezembro 2022 15:59

Manifestantes curdos atiraram pedras, pregos, parafusos e outros objetos contra polícias franceses perto do centro cultural curdo, em Paris, onde esta sexta-feira de manhã morreram três pessoas. Um ataque a tiro levado a cabo por um homem com 69 anos de nacionalidade francesa provocou também três feridos.

Os confrontos começaram quando a multidão se deparou com um cordão de agentes policiais que protegiam o ministro da Administração Interna francês. Gérald Darmanin deslocou-se ao local para avaliar o andamento da investigação e dar uma conferência de imprensa. Durante o seu discurso, membros da comunidade curda expressaram a sua raiva perante o incidente e gritaram contra a Turquia, escreve o “Le Monde”.

As autoridades francesas recorreram a granadas de gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes. Nas ruas, vários objetos foram incendiados, caixotes do lixo e mesas de restaurantes vandalizadas e vários carros danificados. Segundo o jornal francês, pelo menos 11 polícias ficaram feridos nos confrontos.

Alguns manifestantes gritaram “PKK [Partido dos Trabalhadores do Curdistão)” e “os mártires não morrem”, avança ainda o “Le Monde”. As três pessoas que foram alvejadas e faleceram esta sexta-feira eram curdas, relata a agência Reuters, citando um advogado.

Após o ataque a tiro esta manhã, a polícia prendeu um homem chamado William M., que já foi investigado por crimes de ódio e associação à extrema-direita francesa. Foi acusado duas vezes de tentativa de homicídio, em 2016 e 2021. Segundo o canal televisivo francês BFMTV, o homem terá atacado um campo de migrantes no ano passado.

Os disparos aconteceram numa zona com uma prevalência muito grande de cidadãos emigrantes, e onde está localizada uma importante associação de emigrantes curdos em França — o Centro Cultural Curdo Ahmet-Kaya.

Em conferência de imprensa, o ministro da Administração Interna da França, Gérald Darmanin, afirmou que o suspeito tinha a intenção clara de atacar estrangeiros, mas ainda não existam provas de que tinha escolhido como alvo especificamente cidadãos curdos.

Depois do tiroteio, o Ministério Público de Paris abriu uma investigação sobre o homicídio, homicídio voluntário e violência agravada. O motivo do ataque ainda não é conhecido.