Internacional

Governo do Peru acusa alguns países da região de "interferência inaceitável"

21 dezembro 2022 8:48

aldair mejia

Governo peruano anunciou no final da semana passada que irá convocar os seus embaixadores no México, Colômbia, Argentina e Bolívia para consultas, denunciando uma "interferência nos seus assuntos internos" por parte dos presidentes desses países.

21 dezembro 2022 8:48

A ministra dos Negócios Estrangeiros do Peru acusou esta terça-feira um grupo de países da região de "interferência inaceitável" nos assuntos internos do país e de terem um discurso "distante da realidade" desde o início da crise política.

"Perante a situação criada em 07 de janeiro, a comunidade internacional presenciou a ingerência nos assuntos internos do Peru por parte de um pequeno grupo de países que apresentou um discurso distante da realidade", sublinhou Ana Cecilia Gervasi, durante o encerramento do ano letivo da Academia Diplomática, cerimónia que contou com a presença da Presidente Dina Boluarte.

Gervasi salientou que este grupo de países "desconhece a aplicação do sistema constitucional e legal" do Peru.

A responsável pela diplomacia peruana garantiu que, perante "uma ingerência inaceitável", foram adotadas medidas diplomáticas com base no princípio da gradualidade, sem especificar os países a que se referia.

"Da mesma forma que o Peru exige respeito e não ingerência nos seus assuntos internos, continuará fiel à sua tradição de país comprometido com a plena vigência do direito internacional e com o cumprimento de suas obrigações internacionais sob a liderança do Presidente Constitucional da República Dina Boluarte", acrescentou.

O governo do México confirmou esta terça-feira que o país concedeu asilo político à família de Pedro Castillo e que estes já se encontram em território mexicano.

Na semana passada, os governos da Colômbia, México, Argentina e Bolívia expressaram "profunda preocupação com os recentes acontecimentos que resultaram na destituição e detenção" Castillo, referindo que este foi "vítima de um assédio antidemocrático".

Já o governo peruano anunciou no final da semana passada que irá convocar os seus embaixadores no México, Colômbia, Argentina e Bolívia para consultas, denunciando uma "interferência nos seus assuntos internos" por parte dos presidentes desses países.

Ana Cecilia Gervasi referiu-se ainda aos atos de violência ocorridos nos últimos dias, destacando que estes não ajudam o país a recuperar o bem-estar dos peruanos, lamentando também morte de 26 pessoas nos protestos.

Os protestos começaram a 07 de dezembro em várias regiões do Peru, particularmente na capital Lima e na parte sul dos Andes peruanos, depois do Congresso (parlamento) ter destituído Pedro Castillo da Presidência.

A destituição aconteceu depois de Castillo ter anunciado a dissolução do parlamento e a criação de um executivo de emergência, que governaria por decreto, medida interpretada maioritariamente como uma tentativa de golpe de Estado.

Os manifestantes exigem a demissão do Presidente Dina Boluarte (anteriormente vice-presidente), que substituiu Castillo no âmbito da sucessão constitucional, e o encerramento do Congresso, bem como a convocação de eleições gerais e de uma assembleia constituinte.

A ministra dos Negócios Estrangeiros peruana também abordou esta terça-feira ao convite feito pelo próprio governo peruano à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), para que este órgão realizasse uma visita técnica, como sinal do respeito do país pelos direitos humanos.

Uma missão deste órgão reuniu-se com Gervasi e Boluarte como primeiro passo da visita, que começou esta terça-feira.

A diplomacia peruana convidou também o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos a visitar o Peru nos primeiros dias de janeiro, anunciou Gervasi, após uma conversa telefónica com o alto comissário Volker Turk.

Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros, Turk expressou a sua "solidariedade" com a complexa situação que o Peru atravessa e mostrou vontade em "colaborar em conjunto para encontrar uma saída que renove a coesão social e a confiança nas instituições do país".

Já Gervasi detalhou ao alto comissário as ações concretas que o executivo andino tem tomado para acabar com os protestos e restaurar a "ordem" no país como um todo.