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"Deixe-me com a macaca que acabamos com esta briga": ministro dos Camarões condenado por insulto racista a advogada de origem camaronesa

17 novembro 2022 17:04

dado ruvic/reuters

Jean de Dieu Momo, ministro delegado do Ministério da Justiça, foi multado em 1.000 euros e terá de pagar à vítima, Félicité Zeifman, 4.000 euros de indemnização e 2.000 euros de custas judiciais

17 novembro 2022 17:04

Um ministro camaronês foi esta quinta-feira condenado em Paris por ter proferido um "insulto racista" contra uma advogada francesa de origem camaronesa, a quem chamou "macaca" num grupo da rede social Whatsapp em 2020.

Jean de Dieu Momo, ministro delegado do Ministério da Justiça, foi multado em 1.000 euros e terá de pagar à vítima, Félicité Zeifman, 4.000 euros de indemnização e 2.000 euros de custas judiciais.

"Deixe-me com a macaca que acabamos com esta briga", escreveu Momo em 1 de maio de 2020 num grupo do Whatsapp de advogados e juristas camaroneses ou de origem camaronesa. A mensagem gerou 240 comentários e 13 partilhas.

Alguns dias depois, o ministro chamou "primata" à advogada na sua página da rede social Facebook, criticando o que considerou ser o "nome estrangeiro falso" que esta usa - na realidade o nome de casada - e acusando-a de "golpe intelectual ao ar livre".

Durante a audiência num tribunal de Paris em 27 de setembro, Félicité Zeifman explicou que não conhecia o ministro pessoalmente, mas que desenvolveu uma animosidade particular em relação a si por ser filha de uma importante personalidade dos Camarões e que ela se posicionava como uma adversária do poder em vigor.

O advogado de Jean de Dieu Momo negou qualquer intenção racista e afirmou que se tratava de conversas com dimensão política.

Ex-advogado, nomeadamente do Tribunal Penal Internacional para o Ruanda (ICTR, na sigla em inglês), Jean de Dieu Momo é um antigo opositor do regime do Presidente Paul Biya, no poder desde 1982.

Momo foi candidato às eleições presidenciais de 2011, antes da entrada em funções do governo do primeiro-ministro Joseph Dion Ngute, em janeiro de 2019.

O ministro protagonizou em fevereiro de 2019 uma polémica ao proferir comentários antissemitas na televisão, denunciando a "arrogância" dos "judeus" na década de 1930 na Alemanha, "um povo muito rico, que tinha todas as alavancas económicas".

Yaoundé manifestou então a Telavive a "sua viva condenação" do comentário e garantiu "dissociar-se" das declarações feitas "a título pessoal", sem no entanto anunciar sanções contra o ministro.