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Adolescente autor de massacre em escola do Michigan declara-se culpado por terrorismo e homicídio em primeiro grau

Adolescente autor de massacre em escola do Michigan declara-se culpado por terrorismo e homicídio em primeiro grau
SETH HERALD/REUTERS

Há cerca de um ano, o adolescente de 16 anos matou quatro pessoas e feriu outras seis. A arma do crime foi um “presente de Natal” dos pais, que também estão detidos

O adolescente que executou um massacre numa escola do Michigan, resultando na morte de quatro estudantes, declarou-se esta segunda-feira culpado por terrorismo e homicídio em primeiro grau.

O adolescente, de 16 anos, declarou-se culpado de todas as 24 acusações, quase um ano após o ataque na Oxford High School, no sudeste do Estado de Michigan.

O jovem pode também ser chamado a testemunhar contra os seus pais, detidos por acusações de homicídio involuntário, pelo seu papel na tragédia. Respondeu “sim”, enquanto olhava para o chão, depois de questionado se tinha "conscientemente, intencionalmente e deliberadamente" escolhido disparar contra outros alunos.

No tribunal, vários familiares das vítimas choraram enquanto o procurador assistente Marc Keast descrevia os crimes. O gabinete do procurador revelou que não tinha sido feito nenhum acordo antes da sessão.

Uma condenação por homicídio em primeiro grau resulta normalmente numa sentença de prisão perpétua automática no Michigan, mas os adolescentes têm direito a uma audiência onde o seu advogado pode argumentar por um prazo mais curto e uma oportunidade para liberdade condicional.

“Não temos conhecimento de nenhum outro caso, em nenhum lugar no país, em que um atirador em massa tenha sido condenado por terrorismo sob acusações estaduais”, realçou a procuradora do condado de Oakland, Karen McDonald.

Os pais do adolescente estão detidos sob a acusação de homicídio involuntário, acusados de tornar a arma acessível ao filho e ignorar a sua necessidade de tratamento de saúde mental.

A advogada de defesa, Paulette Michel Loftin, referiu que é possível que o jovem seja chamado a testemunhar contra os pais.

Os pais raramente são acusados em massacres em escolas, embora as armas utilizadas normalmente sejam da casa de um dos pais ou de um parente próximo.

A mãe referiu-se nas redes sociais à arma utilizada no ataque como um “presente de Natal” para seu filho.

Com 15 anos na altura, o jovem não tinha problemas de disciplina na escola, mas o seu comportamento levantou suspeitas, depois de um professor ter descoberto um desenho com uma arma apontada às palavras: “Os pensamentos não param. Ajudem-me”.

O casal recusou-se a levar o filho para casa em 30 de novembro, mas foi instruído a levá-lo ao aconselhamento dentro de 48 horas, segundo os investigadores.

Munido com uma pistola Sig Sauer de 9 mm e 50 cartuchos de munição, o jovem levou-a para a escola naquele dia, entrou numa casa de banho, tirou a arma e começou a disparar, provocando ainda seis feridos, para além dos quatro mortos.

O juiz marcou para 09 de fevereiro o início das audiências, para determinar se o adolescente é condenado a prisão perpétua sem liberdade condicional ou se receberá uma pena mais curta, devido à sua idade e uma hipótese de ser libertado.

A advogada do suspeito referiu que o jovem está arrependido e a assumir a responsabilidade pelos seus atos. Sobre as vítimas, realçou: “Acho que não há palavras que possam fazê-las se sentir melhor”.

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