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Eurodeputado Raphaël Glucksmann: “Temos uma proteção de segurança muito fraca e traidores na sala”

Eurodeputado Raphaël Glucksmann: “Temos uma proteção de segurança muito fraca e traidores na sala”
Eric Fougere - Corbis

O eurodeputado Raphaël Glucksmann, presidente da comissão especial de interferência estrangeira na União Europeia, falou ao Expresso sobre os riscos de passagem de informação para a Rússia a partir das instituições europeias. A seu ver a Europa precisa de reduzir a sua dependência externa para produção de bens e armamento. O representante do partido Praça Pública, aliado dos socialistas, deixa um desafio aos jovens desinteressados em política: “Entrem e mudem-na”

Raphaël Glucksmann já foi jornalista e realizador, mas atualmente é no Parlamento Europeu que dá voz às suas ideias. Quando enveredou por esta via, já tinha estado próximo da cena política. Foi conselheiro do ex-Presidente da Geórgia, Mikheil Saakashvili, entre 2005 e 2012. A eleição para eurodeputado aconteceu em 2019, no decorrer de uma candidatura conjunta entre o seu partido, Praça Pública, e o Partido Socialista francês.

O eurodeputado vem a Portugal participar na primeira das “Conversas Europeias”, um conjunto de debates organizado pela eurodeputada socialista portuguesa Isabel Santos. No dia 1 de outubro vai falar sobre o papel dos jovens no futuro da Europa.

É presidente do Comité Especial sobre a Interferência Estrangeira nos Processos Democráticos na União Europeia. Até que ponto é a Rússia influenciou os debates públicos na UE?
No meu comité identificámos duas estratégias da Rússia. Por um lado, apoio financeiro e organizacional a movimentos subversivos por toda a Europa, especialmente de extrema-direita, a que chamamos estratégia de margens. Apoiam movimentos que vão atacar instituições democráticas liberais e europeias. A outra é a estratégia convencional. A interferência era enorme. Veja-se a política energética alemã dos últimos anos e quem tomou decisões que tornaram a Europa tão dependente do gás russo. De Gerhard Schroeder, que foi chanceler social-democrata, até burocratas de topo encarregues dos fundos para a transição energética no Ministério da Economia, em Berlim, todos acabaram a trabalhar para a Gazprom. É uma estratégia muito esperta, que conjuga apoio a movimentos subversivos que se tornam muito perigosos politicamente, como vemos nas eleições italianas ou suecas e compra de pessoas nas elites tradicionais da política europeia. Acrescem campanhas de desinformação, quintas de trolls, propagação de mentiras, incluindo durante a pandemia, num cocktail chamado guerra híbrida. Entendemos que o conflito com a Rússia não começou a 24 de fevereiro, com a invasão em larga escala da Ucrânia. Já estava em guerra híbrida com a Europa e a democracia há muito e o único problema é que a Europa não se apercebeu disso nem reagiu de forma apropriada.

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