Internacional

Quase 250 migrantes desapareceram desde janeiro na fronteira entre a Venezuela e a Colômbia

23 setembro 2022 9:43

john moore / getty images

O Estado de Táchira, o principal ponto de trânsito de migrantes e onde existem grupos armados irregulares que os controlam, é onde se verifica maior número de desaparecidos, segundo organização não-governamental

23 setembro 2022 9:43

A organização não-governamental venezuelana Fundaredes registou, desde janeiro, 246 desaparecimentos de pessoas em seis estados da Venezuela que fazem fronteira com a Colômbia.

Segundo a Fundaredes, que disponibilizou dados na rede social Twitter, os estados com maior número de desaparecimentos são os de Táchira (oeste, junto à fronteira com a Colômbia), com 118 casos, o que corresponde a 48% do total, e Bolívar (amazónico), com 55 casos, Zulia (29), Apure (22), Falcón (17) e Amazonas (cinco).

A ONG considera que as estatísticas de Táchira, principal ponto de trânsito de migrantes, “demonstram a vulnerabilidade dos cidadãos” desta região.

A Fundaredes lembrou que Táchira, uma entidade federal, alberga “o maior movimento de grupos armados irregulares que controlam as etapas ilegais em direção à Colômbia por onde passam diariamente milhares de pessoas”.

A organização destacou que os municípios com mais casos de desaparecimentos em Táchira são Bolívar, Pedro María Ureña, Ayacucho e García de Hevia", todos junto à fronteira com o departamento colombiano de Norte de Santander.

Além disso, a Fundaredes denunciou ser “uma constante” os casos de desaparecimentos junto à fronteira é “a indiferença do Estado venezuelano em investigar, bem como em atender às denúncias das famílias das vítimas”.

No mais recente relatório, publicado este mês, a Fundaredes assegurou que, em agosto, registaram-se 36 desaparecimentos no “corredor da fronteira” venezuelana, o que representa um aumento de 50% em relação a julho, quando 24 foram contabilizados na mesma área.

A ONG indicou ainda que foram contabilizados também 65 homicídios nesses seis estados fronteiriços, sendo que Zulia foi a região mais afetada.