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Austrália: primeiro-ministro diz que referendo para mudar para república não é prioritário

15 setembro 2022 8:44

Anthony Albanese

david gray / getty images

Anthony Albanese recusa-se a participar nesse debate dias após a morte da Rainha Isabel II

15 setembro 2022 8:44

O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, afirmou que a prioridade no país passa por realizar um referendo sobre os direitos políticos dos povos indígenas, e não por substituir a monarquia por uma república.

Embora o líder do Partido Trabalhista de centro-esquerda seja um republicano convicto, recusou-se a participar nesse debate dias após a morte da Rainha Isabel II.

A Austrália, um país da Commonwealth, é uma monarquia constitucional com o soberano britânico como chefe de Estado.

Albanese disse que estava a concentrar-se numa proposta de referendo que visa dar aos povos indígenas - cerca de 670.000 na Austrália, ou menos de 3% da população -, o direito de serem ouvidos pelos deputados sobre questões que os afetam. Um processo chamado "Voz para o Parlamento".

"Quero que os australianos se concentrem na 'Voz para o Parlamento", disse à emissora nacional ABC, quando lhe perguntaram porque é que o país não podia também olhar para o seu futuro sob a monarquia.

Uma colónia britânica durante mais de um século, a Austrália ganhou a independência em 1901, mas manteve o monarca como chefe de Estado.

As sondagens realizadas antes da morte de Isabel II mostraram que a maioria dos australianos era favorável ao estabelecimento de uma república.

A questão republicana foi reavivada desde que Albanese chegou ao poder, em maio, nomeando prontamente o primeiro "vice-ministro para a república" do país, sugerindo que outro referendo poderia ser realizado no futuro.

"É muito difícil conseguir uma mudança constitucional neste país", explicou Albanese, no entanto, recordando a votação de 1999, em que os australianos recusaram a mudança para uma república.

"A ideia de ter vários debates ao mesmo tempo não é, penso eu, viável e eu deixei claras as minhas prioridades", continuou.