Internacional

Ocidente critica na ONU perseguição chinesa à minoria uighur em Xinjiang

13 setembro 2022 18:37

feifei cui-paoluzzo/getty images

Um relatório - divulgado pelo Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU, no último dia do mandato de Michelle Bachelet - “apresenta provas críveis dos esforços da China para silenciar e reprimir os uighures e outras minorias na região, incluindo atos que podem ser crimes contra a humanidade”

13 setembro 2022 18:37

O Reino Unido, EUA e União Europeia manifestaram esta terça-feira preocupação, ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, perante as conclusões do recente relatório sobre a perseguição do regime chinês à minoria uighur em Xinjiang.

"Este Conselho não pode ficar calado quando uma minoria étnica está sendo atacada de forma tão brutal", disse a delegação britânica no Conselho – numa sessão sobre os Direitos Humanos no mundo, mas onde o tema de Xinjiang foi o mais discutido - pedindo a Pequim para que permita a entrada de observadores internacionais para investigar os abusos.

O relatório - divulgado pelo Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU, no último dia do mandato de Michelle Bachelet - “apresenta provas críveis dos esforços da China para silenciar e reprimir os uighures e outras minorias na região, incluindo atos que podem ser crimes contra a humanidade”, recordou a delegação britânica.

"A China deve fornecer acesso a especialistas para verificar as conclusões" do relatório, que, segundo o representante britânico, fala de prisões arbitrárias, torturas, esterilizações e abortos forçados ou destruição de locais de culto, entre outros possíveis crimes.

Outras delegações, como a da República Checa, em nome da União Europeia, também manifestaram preocupação com as conclusões do relatório e pediram às autoridades chinesas que colaborem com o Alto Comissariado da ONU – sob a nova direção do austríaco Volker Turk - para aplicar as recomendações finais do documento.

A França recomendou uma “monitorização de perto” pela ONU da situação em Xinjiang, enquanto os Estados Unidos simplesmente indicaram que “tomam nota” das conclusões do relatório.

A delegação chinesa – que é um dos atuais 47 membros do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas - reiterou as críticas ao relatório, alegando que foi baseado em "informações falsas e conclusões erradas".

"É mais um exemplo de como os instrumentos de Direitos Humanos são utilizados pelos países ocidentais", afirmou a delegação chinesa, que qualificou de "inaceitável" que o Alto Comissariado liderado por Bachelet até 31 de agosto tivesse procurado, por um lado, a cooperação com Pequim e, por outro lado, o "confronto deliberado".

Às críticas feitas pela China ao relatório juntaram-se outros membros atuais do Conselho, como a Venezuela, Bolívia ou Cuba, que consideraram o documento "tendencioso" e sem qualquer utilidade, por não ter sido validado pelo país envolvido.

No lado dos países observadores, a Rússia - que este ano foi expulsa do Conselho por causa da invasão da Ucrânia - afirmou que o relatório sobre Xinjiang marca um "momento de politização sem precedentes" numa instituição que, ao denunciar a situação na China, ignora "os abusos na Europa, nos EUA e em outros países ocidentais”.

O fato de nenhum país de maioria muçulmana no Conselho ter feito qualquer menção ao relatório foi surpreendente, apesar de este denunciar ataques sistemáticos das autoridades chinesas a povos com esse credo, na região de Xinjiang, incluindo os uighures.

A invasão russa da Ucrânia, a falta de progresso na investigação às explosões ocorridas no porto de Beirute em 2020 ou a questão palestiniana foram outros temas discutidos na sessão do Conselho.

Várias delegações aproveitaram a sessão de hoje para expressarem a sua gratidão a Bachelet pelos seus quatro anos à frente do Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU, desejando felicidades a Volker Turk, que lhe sucederá.