Internacional

Irão apreende dois ‘drones’ marítimos dos EUA no mar Vermelho

2 setembro 2022 16:44

aldo pavan/getty images

Televisão estatal iraniana afirmou que a Marinha encontrou “vários aparelhos de espionagem marítima não-tripulados abandonados nas rotas marítimas internacionais” na quinta-feira

2 setembro 2022 16:44

O Irão indicou esta sexta-feira que a sua Marinha apreendeu dois ‘drones’ marítimos dos Estados Unidos no mar Vermelho libertando-os seguidamente, no mais recente incidente marítimo envolvendo a nova frota daqueles aparelhos não-tripulados da marinha norte-americana no Médio Oriente.

O comandante Timothy Hawkins, um porta-voz da 5.ª Frota da Marinha estacionada no Médio Oriente, reconheceu hoje o incidente, em declarações à agência de notícias norte-americana Associated Press (AP), mas escusou-se a fornecer mais pormenores.

A televisão estatal iraniana transmitiu imagens que afirmou terem sido captadas do convés do navio contratorpedeiro da Marinha iraniana Jamaran, onde marinheiros envergando coletes salva-vidas examinavam o que pareciam ser duas sondas marítimas não-tripuladas. Atiraram uma delas borda fora enquanto se via, à distância, outro navio de guerra.

Segundo a televisão estatal iraniana, a Marinha encontrou “vários aparelhos de espionagem marítima não-tripulados abandonados nas rotas marítimas internacionais” na quinta-feira.

“Após dois avisos ao contratorpedeiro norte-americano para impedir eventuais incidentes, o Jamaran apreendeu os dois aparelhos marítimos”, noticiou a estação televisiva.

“Depois de garantir a segurança das águas marítimas internacionais, o Esquadrão Naval N.º84 libertou os aparelhos marítimos numa área segura”, acrescentou.

Este foi o segundo incidente do género nos últimos dias, enquanto as negociações sobre o acordo nuclear de Teerão com as potências internacionais não chegaram ainda a bom porto.

O primeiro incidente envolveu a Guarda Revolucionária paramilitar iraniana, e não a sua Marinha regular, e ocorreu no Golfo Pérsico.

A área pela qual é responsável a 5.ª Frota, que lançou no ano passado a sua Missão Não-Tripulada 59, inclui o fundamental Estreito de Ormuz, estreita foz do Golfo Pérsico por onde passam 20% de todo o petróleo mundial.

Também se estende até ao ponto em que o mar Vermelho se aproxima do Canal do Suez, a via navegável do Egito que conduz ao mar Mediterrâneo, e ao Estreito Bab el-Mandeb, ao largo do Iémen – uma região que tem sido palco de uma série de ataques marítimos nos últimos anos.

Ao largo do Iémen, barcos-‘drone’ carregados de bombas e minas deixados à deriva pelos rebeldes iemenitas Huthis têm danificado embarcações durante a guerra há anos em curso naquele país.

Perto dos Emirados Árabes Unidos e do Estreito de Ormuz, petroleiros têm sido apreendidos pelas forças iranianas, que apoiam os Huthis, e outros têm sido atacados em incidentes de que a Marinha norte-americana culpa o Irão.

Tais ataques começaram um ano após a decisão, em 2018, do então Presidente norte-americano, Donald Trump, de unilateralmente retirar os Estados Unidos do acordo nuclear assinado em 2015 por Teerão com o país e cinco outras potências - Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha -, nos termos do qual foram levantadas sanções económicas ao Irão em troca de este reduzir drasticamente o seu processo de enriquecimento de urânio.

Quando Washington reimpôs as sanções, Teerão afastou-se gradualmente dos compromissos assumidos no âmbito desse acordo, cujas negociações para o repor decorrem há 16 meses ainda sem resultados.

Os Estados Unidos lançaram hoje dúvidas sobre a mais recente resposta escrita do Irão às conversações, por parecer ainda querer renegociar o que deveria ser a versão final do texto do acordo.

O Irão está agora a enriquecer urânio em quantidades mais próximas que nunca das necessárias à produção de armas nucleares, enquanto os governantes sugerem que Teerão poderá construir uma bomba atómica se assim o desejar, embora mantenham que o seu programa nuclear é pacífico, ao passo que os países ocidentais e os inspetores internacionais afirmam que Teerão teve um programa nuclear militar até 2003.