Internacional

Massacre de Munique, 50 anos depois: governo alemão chega a acordo para indemnizar familiares das 11 vítimas

31 agosto 2022 21:03

Tiago Soares

Tiago Soares

Jornalista

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Berlim vai pagar cerca de 28 milhões de euros aos familiares dos atletas israelitas que foram assassinados pelo grupo Black September durante os Jogos Olímpicos de Munique, em 1972

31 agosto 2022 21:03

Tiago Soares

Tiago Soares

Jornalista

Os familiares das vítimas do massacre dos Jogos Olímpicos de 1972, em Munique, chegaram a acordo com o governo alemão para serem indemnizados, a poucos dias da cerimónia que assinala os 50 anos do massacre em que 11 cidadãos israelitas perderam a vida. A cerimónia acontece a 5 de setembro, e inicialmente iria ser boicotada pelos familiares das vítimas.

“O governo está satisfeito por ter sido possível chegar a acordo com os familiares em relação ao conceito do 50º aniversário”, disse fonte oficial do gabinete de Olaf Scholz, Chanceler alemão, citado pelo “The Guardian”.

Segundo o jornal alemão "Süddeutsche Zeitung", o valor da indemnização é de 28 milhões de euros, um montante superior aos 10 milhões de euros inicialmente oferecidos pelo governo de Berlim. O acordo pressupõe também a abertura ao público dos arquivos históricos sobre o que aconteceu. Essas informações serão investigadas por uma comissão de historiadores alemães e israelitas.

Nesse dia de 5 setembro de 1972, 11 atletas de Israel foram assassinados pela organização Black September depois de terem sido feitos reféns na base área de Fürstenfeldbruck. Um agente da polícia e cinco dos criminosos também morreram no tiroteio.

Na altura, as autoridades alemães foram criticadas pela falta de medidas de segurança durante a situação envolvendo reféns: foram colocados no terreno agentes da polícia sem treino de sniper, e um primeiro plano de atuação foi abortado depois de ter ficado claro que que os raptores conseguiam acompanhar as movimentações da polícia através da televisão.

O Presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, vai tornar-se no primeiro representante eleito da Alemanha a pedir oficialmente desculpa por estas falhas de segurança, avançou também o "Süddeutsche Zeitung". “O acordo não é capaz de sarar todas as feridas”, disse Steinmeier em comunicado esta quarta-feira. “Mas abre uma porta".