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Covid-19: deputados de Macau pedem fim ou redução do isolamento em hotéis

29 agosto 2022 9:41

carmo correia/lusa

Ao contrário do que acontece para quem entra pela fronteira com a China continental, quem chega do estrangeiro é obrigado a cumprir uma quarentena de sete dias num hotel, um período que chegou a ser de 28 dias, mas que tem sido reduzido progressivamente

29 agosto 2022 9:41

Dois deputados pediram hoje ao Governo de Macau a redução do período de isolamento obrigatório em hotéis ou a substituição por quarentenas domiciliárias para quem chega do estrangeiro.

Macau deve seguir a política adotada na região vizinha de Hong Kong desde 12 agosto, que permite aos viajantes permanecer em quarentena durante três dias num hotel designado, e depois submeterem-se a quatro dias de vigilância médica, defendeu o deputado Che Sai Wang.

Durante a semana de quarentena e vigilância em Hong Kong, os movimentos dos viajantes são restringidos através da utilização de um sistema de código de saúde e também têm de fazer testes regulares à covid-19.

Alguns destes testes poderiam ser gratuitos, “a fim de garantir a segurança da saúde pública em Macau e, ao mesmo tempo, atrair mais turistas, disse Che Sai Wang, no período antes da ordem do dia numa sessão da Assembleia Legislativa (AL).

Che Sai Wang foi eleito numa lista eleitoral apoiada pela Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau, juntamente com José Pereira Coutinho.

Tal como em 11 de agosto, o único deputado português na AL voltou a defender a substituição do isolamento obrigatório em hotéis por quarentenas domiciliárias, “tendo em consideração a taxa elevada de vacinação na RAEM”.

Segundo dados oficiais divulgados no domingo pelos Serviços de Saúde de Macau, 91,15% da população foi vacinada contra a covid-19, embora 4% só tenha recebido uma dose e 42,7% duas doses.

Ao contrário do que acontece para quem entra pela fronteira com a China continental, quem chega do estrangeiro é obrigado a cumprir uma quarentena de sete dias num hotel, um período que chegou a ser de 28 dias, mas que tem sido reduzido progressivamente.

Macau segue a política de zero casos imposta por Pequim, apostando na testagem massiva da população e em confinamentos para evitar a propagação dos casos de covid-19.

O território “deve implementar um plano de convivência com a covid-19”, defendeu José Pereira Coutinho, “sob pena de sacrificar a confiança de investimento no território, aumento do desemprego e suicídios”.

A taxa de desemprego subiu para 4,1% entre maio e julho, mais 0,4 pontos percentuais do que no período anterior, e o valor mais elevado desde 2005, devido “à suspensão da maioria das atividades industriais e comerciais” durante o recente surto de covid-19, revelou na sexta-feira a Direção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

Segundo dados oficiais da Secretaria para a Segurança de Macau, durante a primeira metade do ano, houve 123 tentativas de suicídio, mais 99 do que no mesmo período de 2021.

O número de tentativas subiu após o início do surto, em 18 de junho, disse hoje a deputada Wong Kit Cheng, defendendo que “a sociedade vive numa atmosfera de insegurança”.

A região administrativa especial chinesa registou seis mortos e pouco mais de 1.800 casos desde o início da pandemia.