Internacional

Sudão do Sul volta a adiar primeiras eleições desde a independência para dezembro de 2024

4 agosto 2022 19:16

Salva Kiir

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Os Estados Unidos da América, Reino Unido e Noruega avisaram numa carta ao Presidente Salva Kiir, pouco antes do anúncio, esta quinta-feira, do adiamento das eleições, que não enviariam os seus principais diplomatas porque acreditavam que nem todas as partes do acordo de paz tinham sido consultadas

4 agosto 2022 19:16

Os signatários do acordo de paz para terminar com a guerra no Sudão do Sul voltaram a adiar as primeiras eleições no país desde a independência, para dezembro de 2024, prolongando o período de transição por dois anos.

Os Estados Unidos da América, Reino Unido e Noruega avisaram numa carta ao Presidente Salva Kiir, pouco antes do anúncio, esta quinta-feira, do adiamento das eleições, que não enviariam os seus principais diplomatas porque acreditavam que nem todas as partes do acordo de paz tinham sido consultadas.

“O novo plano "deve demonstrar como um novo prolongamento será diferente dos anteriores adiamentos e incluir passos para um progresso claro na criação das instituições e mecanismos necessários à realização de eleições", afirmou a ‘troika’ de países mediadores na missiva, citada pela agência Associated Press.

Numa tentativa de explicação para este novo adiamento, Kiir afirmou que queria evitar a criação de condições para mais derramamento de sangue.

"Não vou prolongar o período de transição por querer ficar mais tempo no governo. Não quero apressar-vos para uma eleição que nos leve de volta à guerra", afirmou Kiir, que tem liderado o Sudão do Sul desde a sua independência em relação ao Sudão em 2011.

O líder sudanês apelou ainda aos grupos de resistência para se juntarem a si na implementação do processo de paz.

Salva Kiir e vários grupos armados da oposição assinaram um acordo de paz em 2018, pondo fim a cinco anos de guerra civil que matou centenas de milhares de pessoas.

Porém, várias disposições do acordo, incluindo a formação de um exército nacional unificado, continuam em grande parte por implementar.

O rival histórico de Kiir, o vice-presidente Riek Machar, declarou que não tinha outra escolha senão aceitar o prolongamento do período de transição para assegurar a implementação do acordo.

"Precisamos de um espaço político. Sem espaço político, não podemos" implementar o acordo, acrescentou Machar, apelando à criação das condições políticas para que os partidos da oposição possam participar livremente nas eleições.