Internacional

Pelo menos dois mortos a tiro por ‘capacetes azuis’ na fronteira entre RD Congo e Uganda

31 julho 2022 19:24

Um manifestante exige a retirada dos capacetes azuis de Goma nos protestos junto à fronteira da República Democrática do Congo com o Ruanda

michel lunanga/getty images

Este caso acontece num momento em que a missão da ONU na RDC tem enfrentado protestos que pedem a sua retirada

31 julho 2022 19:24

Uma coluna de ‘capacetes azuis’ das Nações Unidas abriu fogo contra um posto fronteiriço entre a República Democrática do Congo (RDC) e o Uganda, incidente que resultou em pelo menos dois mortos, segundo a agência AFP.

A missão da ONU na RDC (Monusco) confirmou que os seus militares abriram fogo contra um posto fronteiriço, sem confirmar, no entanto, o número de mortos que resultaram do incidente.

Este caso acontece num momento em que a missão da ONU na RDC tem enfrentado protestos que pedem a sua retirada.

“Militares da brigada de intervenção da Monusco que estavam a regressar de licença abriram fogo no posto fronteiriço [em Kasindi, na província nordeste de Kivu do Norte] por razões inexplicáveis e forçaram a paragem”, referiu a organização em comunicado divulgado este domingo.

"O balanço é de dois mortos", apontou, por sua vez, Joël Kitausa, líder da sociedade civil em Kasindi, que também relatou 14 feridos.

Num vídeo partilhado nas redes sociais, é visível pelo menos um homem em uniforme de polícia e outro com uniforme militar congolês a avançar em direção ao comboio imobilizado em Kasindi, no território de Beni, na fronteira com o Uganda.

Após uma troca verbal, é visível também alegados ‘capacetes azuis’ a dispararem antes de abrirem a barreira para cruzar a fronteira, noticia a agência AFP.

A chefe da Monusco, Bintou Keita, referiu, citada no comunicado da missão da ONU, que estava "profundamente chocada e consternada com este grave incidente".

“Perante este comportamento inexplicável e irresponsável, os autores do tiroteio foram identificados e detidos enquanto se aguardam as conclusões da investigação que já começou em colaboração com as autoridades congolesas”, sublinhou a Monusco.

"Foram também estabelecidos contactos com o país de origem destes militares para que se possa instaurar com urgência um processo judicial com a participação de vítimas e testemunhas, para que sanções exemplares possam ser tomadas o mais rapidamente possível", acrescentou a missão, sem mencionar a nacionalidade dos ‘capacetes azuis’ visados.

No início do dia deste domingo, o delegado oficial do governador de Kivu do Norte em Kasindi, Barthélemy Kambale Siva, tinha adiantado à AFP que existiam oito feridos graves, incluindo dois polícias.

Na semana passada, ocorreram manifestações mortais, acompanhadas de destruição e saques em várias cidades do leste da RDC, que exigiam a saída das Nações Unidas.

Presente na RDCongo desde 1999, a Monuc (Missão da ONU na RDCongo) que se tornou Monusco (Missão da ONU para a Estabilização na RDCongo) com a evolução do seu mandato em 2010, é considerada uma das maiores e mais caras missões da ONU, com um orçamento anual de mil milhões de dólares (cerca de 980 milhões de euros, ao câmbio atual).

A missão da ONU conta atualmente com mais de 14.000 “capacetes azuis”.