Internacional

Três mulheres enforcadas no Irão acusadas de assassinarem os maridos

29 julho 2022 20:37

farzaneh chakhmagh zas/getty images

Várias organizações de defesa e promoção dos direitos humanos têm manifestado preocupação pelo aumento significativo de mulheres executadas no Irão – pelo menos dez em 2022 –, condenadas sobretudo pelo assassínio dos respetivos maridos

29 julho 2022 20:37

O Irão procedeu à execução por enforcamento de três mulheres, em prisões diferentes, todas condenadas à morte sob acusação de terem assassinado os respetivos maridos, anunciou esta sexta-feira a organização não-governamental Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega.

Várias organizações de defesa e promoção dos direitos humanos têm manifestado preocupação pelo aumento significativo de mulheres executadas no Irão – pelo menos dez em 2022 –, condenadas sobretudo pelo assassínio dos respetivos maridos.

Muitas dessas mulheres são frequentemente vítimas de violência dos próprios maridos ou são obrigadas a casar ainda em criança, observam as organizações.

Segundo a IHR, citada pela agência noticiosa France-Presse (AFP), as três mulheres foram condenadas por matarem os respetivos maridos em três casos distintos e executadas na quarta-feira em diferentes prisões da República Islâmica.

A IHR refere que Senobar Jalali, cidadã afegã, foi executada numa prisão perto de Teerão, enquanto Soheila Abedi, casada aos 15 anos, foi enforcada numa penitenciária de Sanandaj (oeste do Irão).

Abedi assassinou o marido dez anos depois do casamento e foi condenada à morte em 2015, precisou a IHR.

A terceira mulher, Faranak Beheshti, condenada há cinco anos também pelo assassínio do marido, foi executada numa prisão em Urmia (noroeste), acrescentou a fonte.

Segundo um relatório do IHR, divulgado em outubro do ano passado, pelo menos 164 mulheres foram executadas no Irão entre 2010 e 2021.

Quarta-feira, duas outras organizações não-governamentais, entre elas a Amnistia Internacional (AI), denunciaram a existência de “execuções em série" no Irão, onde mais de 250 pessoas foram condenadas à morte nos primeiros seis meses do ano, “após julgamentos sistematicamente injustos”.

No Irão, as mulheres não têm o direito de pedir unilateralmente o divórcio, mesmo em situações de violência doméstica ou de abuso, sublinham as várias organizações de defesa dos direitos humanos.