Internacional

Discurso de ódio contra os valores de França: Paris expulsa pregador muçulmano do país

28 julho 2022 18:10

Hassan Iquioussen

marc gantier/getty images

O imã, bastante ativo nas redes sociais e que conta com mais de 169 mil seguidores no Youtube e outros 42 mil seguidores no Facebook, já reagiu à decisão, negando qualquer envolvimento em discursos de ódio ou de discriminação

28 julho 2022 18:10

O ministro do Interior de França, Gérald Darmanin, anunciou esta quinta-feira a expulsão do imã Hassan Iquioussen, conhecido pelas suas ligações à Irmandade Muçulmana e por alegadamente apelar ao ódio, sobretudo contra a comunidade judaica.

Na rede social Twitter, o ministro afirmou que a expulsão do pregador islâmico justificava-se pelo facto de Iquioussen “ter mantido durante anos um discurso odioso contra os valores de França, contrário aos nossos princípios de secularismo e de igualdade entre mulheres e homens”. Por consequência, “será expulso do território francês”, ditou Darmanin.

O imã, bastante ativo nas redes sociais e que conta com mais de 169 mil seguidores no Youtube e outros 42 mil seguidores no Facebook, já reagiu à decisão, negando qualquer envolvimento em discursos de ódio ou de discriminação.

“Hoje, sou acusado de fazer comentários discriminatórios e mesmo violentos, o que contesto fortemente. Confio no sistema judicial e nos meus conselheiros para cancelar este procedimento de expulsão”, disse na rede social Facebook.

Em 2004, Hassan Iquioussen já tinha sido acusado de tecer comentários antissemitas pelo Crif (Conselho Representativo das Instituições Judaicas em França), que se queixou à antiga UOIF (União das Organizações Islâmicas em França), atual Muçulmanos de França.

Agora com 57 anos, o imã vive em Lourches, no norte de França, onde tem continuado a pregar discursos “odiosos aos valores da República, incluindo ao secularismo”, à “igualdade entre mulheres e homens” e a propagar “teses antissemitas”, segundo a prefeitura francesa do norte do país.

O pregador é também associado à promoção de “uma forma de separatismo” e de alimentar “teorias de conspiração em torno da islamofobia”.

Segundo o Ministério do Interior, a comissão departamental para a expulsão de estrangeiros deu um parecer favorável sobre a sua retirada e a ordem “será emitida nas próximas horas”.

Apesar de ter nascido em França, Iquioussen deixou de ter nacionalidade francesa quando atingiu a maioridade e passou a identificar-se com cidadão marroquino, com autorizações de residência.

As autoridades francesas aproveitaram a lei contra o separatismo, promulgada em agosto de 2021, para expulsar o imã, quando este pediu uma renovação da autorização de residência de dez anos, que estava prestes a expirar.