Internacional

Manifestantes atacam e saqueiam missão da ONU no leste da República Democrática do Congo

25 julho 2022 18:28

michel lunanga/getty images

Depois de terem barricado as principais artérias de Goma, capital da província de Kivu Norte, os manifestantes divididos em dois grupos invadiram a sede local da missão da ONU, bem como a sua base logística localizada fora do centro da cidade

25 julho 2022 18:28

Centenas de manifestantes revoltados atacaram e saquearam esta segunda-feira em Goma as instalações da Missão das Nações Unidas (Monusco), acusada de ineficácia na luta contra os grupos armados no leste da República Democrática do Congo (RDCongo).

Depois de terem barricado as principais artérias de Goma, capital da província de Kivu Norte, os manifestantes divididos em dois grupos invadiram a sede local da missão da ONU, bem como a sua base logística localizada fora do centro da cidade.

Na sede da Monusco, manifestantes enfurecidos queimaram pneus e plástico em frente ao portão antes de subir e vandalizar o complexo, observou um correspondente da agência de notícias France-Presse (AFP). No interior do complexo, partiram janelas, paredes e saquearam computadores, cadeiras, mesas e objetos de valor. Os efetivos da Monusco presentes no local foram retirados a bordo de dois helicópteros.

Do outro lado da cidade, cenas semelhantes ocorreram na base logística da Monusco, onde um estudante uniformizado foi atingido na perna por um tiro disparado de dentro do local.

A polícia da ONU usou granadas de gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes antes da intervenção das Forças Armadas governamentais, tendo alguns dos manifestantes sido detidos.

"A Monusco denuncia com veemência o ataque às suas instalações em Goma, no Kivu Norte, perpetrado por um grupo de saqueadores à margem de uma manifestação que, aliás, foi proibida pelo autarca da cidade de Goma", escreve a missão num comunicado de imprensa.

"A Missão está muito preocupada com este gravíssimo incidente que ocorre um dia depois de declarações hostis e ameaças abertas de indivíduos e grupos contra as Nações Unidas", lê-se no comunicado.

O governo de Kinshasa já se manifestou, tendo condenado de forma "veementemente qualquer forma de ataque contra pessoal e instalações das Nações Unidas”. “Os responsáveis ​​serão responsabilizados ​​e severamente punidos", escreveu na rede social Twitter o porta-voz do governo, Patrick Muyaya.

Durante uma reunião em 15 de julho em Goma, o presidente do Senado congolês, Modeste Bahati, pediu à Monusco que "faça as malas" após uma presença de 22 anos sem conseguir restaurar a paz no leste do país.

A manifestação foi organizada a pedido de organizações da sociedade civil e do partido do Presidente Félix Tshisekedi, a União para a Democracia e o Progresso Social (UDPS).

Presente na RDCongo desde 1999, a Monuc (Missão da ONU na RDCongo) que se tornou Monusco (Missão da ONU para a Estabilização na RDCongo) com a evolução do seu mandato em 2010, é considerada uma das maiores e mais caras missões da ONU do mundo, com um orçamento anual de mil milhões de dólares (cerca de 980 milhões de euros, ao câmbio atual). A missão da ONU conta atualmente com mais de 14.000 “capacetes azuis”.