Internacional

Clima: os episódios súbitos de tempo extremo são o novo normal

16 julho 2022 18:19

Cristina Peres

Cristina Peres

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Jornalista de Internacional

Chuvas torrenciais provocaram deslizamentos de terra no sudoeste do Japão, matando pelo menos sete pessoas em 7 de julho na cidade de Atami, um distrito a sul de Tóquio

anadolu agency/getty images

O ano ainda vai a meio e já todos os continentes foram afetados por episódios de chuvas torrenciais que deixam um rasto de morte e destruição atrás de si. As alterações climáticas e a desordem da construção urbana concorrem para a vulnerabilidade das populações

16 julho 2022 18:19

Cristina Peres

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Jornalista de Internacional

Quando chove no Malawi, toda a água acaba por passar por Chikwawa e pelo distrito adjacente de Nsanje antes de se ligar a outros rios e desaguar no rio Zambeze, seguindo para Moçambique. O rio Shire é o maior do país e é a única saída para as águas do lago Malawi. Quer isso dizer que quando chove no país, toda a água que cai acaba por concentrar-se ali. Uma chuvada forte em 2015 seguida do ciclone “Idai”, quatro anos mais tarde, causou mais danos aos dois distritos do que em qualquer outra localização desta nação que entra pelo norte de Moçambique, tem a Tanzânia a leste e a Zâmbia a oeste. Não é difícil compreender, por isso, que à medida que a intensidade das inundações aumentou nos anos mais recentes, os danos tenham sido cada vez mais devastadores. Tal como o líder da comunidade de Chikwawa, que vendeu as suas cabeças de gado para comprar terrenos onde as pessoas pudessem instalar-se a salvo da torrente de águas da estação das chuvas, são muitas as histórias de resistência das populações aos desastres que a geografia anuncia.

Os balanços dos desastres mostram que as populações estão a perder esta batalha e que os departamentos da administração que gerem os desastres em toda a parte, como no Malawi, têm um papel cada vez mais fundamental no planeamento e socorro. Este episódio ocorrido em maio do presente ano afetou um milhão de pessoas, destruiu bens no valor de centenas de milhares de euros e, pior, matou 46 pessoas e deixou mais de 200 desalojadas.