Internacional

Eslovénia retira cerca na fronteira colocada na crise migratória de 2015

15 julho 2022 16:19

Migrantes iraquianos perto da fronteira da Sérvia com a Hungria. A rota dos balcãs é dos problemas que a UE quer resolver com os países que sonham com a adesão ao bloco

oliver bunic/getty

A ministra do Interior, Tatjana Bobnar, lembrou que a cerca na fronteira era uma medida temporária e que “é inadmissível que se torne um elemento permanente da política de fronteiras da Eslovénia”

15 julho 2022 16:19

O exército esloveno começou esta sexta-feira a remover uma cerca de arame farpado na fronteira com a Croácia, colocada depois de mais de um milhão de pessoas entrarem na Europa em 2015, durante a chamada crise migratória.

Cerca de uma dúzia de soldados usavam, esta manhã, cortadores para ajudar a tirar o fio que ficou emaranhado em arbustos e outras plantas ao longo da fronteira, antes de carregar os rolos num camião.

As autoridades adiantaram, no entanto, que pode levar até cinco meses a retirar toda a cerca, que soma quase 200 quilómetros numa combinação de arame farpado e painéis de metal.

A decisão de retirar a cerca foi tomada pelo novo Governo liberal da Eslovénia, que assumiu o cargo após uma eleição em abril.

Segundo as autoridades do país, a fronteira continuará a ser vigiada através de outros meios, já que é preciso evitar acidentes e ferimentos quando os migrantes tentam entrar na Europa ocidental.

Muitos migrantes do Médio Oriente, África ou Ásia chegam à Eslovénia vindos da Croácia, pela chamada rota dos Balcãs, enfrentando perigos, como viagens no mar ou rios, traficantes de pessoas e noites ao relento, durante travessias que chegam a durar largos meses ou mesmo anos.

A decisão do Governo esloveno de remover a cerca enfrentou críticas dos partidos de direita, que se opõem firmemente à migração, sobretudo porque aquele da União Europeia registou um aumento das entradas de migrantes no primeiro semestre de 2022, relativamente ao ano passado.

No entanto, a ministra do Interior, Tatjana Bobnar, lembrou que a cerca na fronteira era uma medida temporária e que “é inadmissível que se torne um elemento permanente da política de fronteiras da Eslovénia”.

Segundo a agência de notícias oficial STA, o exército vai remover primeiro 51 quilómetros de arame farpado, enquanto os 143 quilómetros restantes serão retirados por um empreiteiro ainda não selecionado.