Internacional

De cinco mil capacetes a artilharia pesada: como evoluiu e o que implicou a ajuda alemã à Ucrânia

9 julho 2022 22:04

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

Christine Lambrecht, ministra da Defesa (esq), Olaf Scholz, chanceler, e Annalena Baerbock, ministra dos Negócios Estrangeiros, na cimeira da NATO

picture alliance/getty images

Os alemães foram obrigados a abandonar a cultura de paz cultivada há mais de 70 anos como a cobra muda de pele: o processo é natural, porém leva tempo e implica esforço

9 julho 2022 22:04

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

O chanceler alemão prometeu mudança na política externa e na segurança quando discursou a 25 de fevereiro, um dia após a invasão russa da Ucrânia. Novos tempos. Após 16 anos de pequenos passos, ponderação e contenção, uma Zeitenwende (mudança, novos tempos) na Alemanha é notícia. E uns querem mais do que outros que seja mesmo notícia.

O anúncio de um reforço inédito para a defesa de €100 mil milhões e a garantia expressa de 2% do Orçamento para alinhar compromissos com a NATO materializaram a mudança. Ao longo das últimas semanas, Olaf Scholz repetiu em várias ocasiões que o esforço financeiro do Governo federal fará das Forças Armadas alemãs as mais fortes da Europa. Assim regressava ao topo da agenda a exigência de liderança ao “gigante renitente”, repetida pelas mesmas vozes tonitruantes, internas e externas, que antes a lembraram sempre de que o “passo a passo” característico de Angela Merkel esbarrava numa crise. Só que agora o pano de fundo é a guerra na Europa.