Internacional

Coreia do Sul: apresentada queixa contra antigo membro de Serviços de Informações envolve caso de “não desertor”

7 julho 2022 14:21

Salomé Fernandes

Salomé Fernandes

jornalista da secção internacional

dilok klaisataporn / eyeem - getty images

Em 2020, a Coreia do Sul colocava a hipótese de um trabalhador morto pela Coreia do Norte estar a tentar desertar. Mas as peças da teoria começaram a cair depois de, no mês passado, as autoridades terem dito que não há indícios disso. Agora, deputados estão a ser investigados e foi apresentada queixa contra um ex-membro dos serviços de informações

7 julho 2022 14:21

Salomé Fernandes

Salomé Fernandes

jornalista da secção internacional

Dois anos depois de a Coreia do Sul ter alegado que um funcionário governamental tinha sido morto pela Coreia do Norte enquanto tentava cruzar a fronteira nessa direção, e com o país sob uma nova liderança, a versão de que era um desertor foi retirada. O escândalo levou a que nos últimos dias fosse lançada uma investigação a deputados do Partido Democrático da Coreia e apresentada queixa contra uma antiga chefia do Serviço Nacional de Informações da Coreia do Sul.

Segundo o jornal The Korea Times, na quarta-feira o Serviço Nacional de Informações anunciou ter apresentado queixa contra Park Jie-won, que ocupou uma posição de chefia no organismo. Em causa estão alegações de que apagou relatórios sem autorização relativamente ao caso deste trabalhador. Park é também acusado de abuso de autoridade.

Além disso, The Korea Herald escreveu esta semana que a Comissão Nacional de Direitos Humanos sul-coreana confirmou que avançou com uma investigação a deputados do principal partido da oposição, por suspeitas de tentativas de persuadirem familiares do homem a admitirem que este tentara fugir para a Coreia do Norte. A investigação surge no seguimento de uma petição submetida por um grupo civil, mas a família já tinha feito alegações nesse sentido.

Uma teoria sem “qualquer indício”

Seul anunciou em setembro de 2020 que um funcionário do Ministério dos Assuntos Marítimos e Pescas tinha sido morto a tiro pela guarda costeira da Coreia do Norte. A administração do então Presidente Moon Jae-In alegou que o trabalhador estava a tentar sair do país e a desertar para o norte.

O caso gerou críticas da opinião pública, com Moon a dizer inicialmente que se tratava de um incidente “imperdoável”. Mas o líder norte-coreano Kin Jong-Un emitiu um pedido de desculpas pela morte, que alegadamente se deveu a uma tentativa de prevenção da pandemia de covid-19, e a situação não escalou. No mês passado a administração atual recuou na versão de que o trabalhador estava a tentar desertar.

“Depois de uma investigação abrangente, não encontrámos qualquer indício para acreditar que o oficial tivesse intenção de desertar para a Coreia do Norte”, disse Park Sang-chun, chefe da guarda costeira de Incheon, citado por The Korea Herald. Os representantes do Ministério da Defesa e da guarda costeira que anunciaram os resultados finais da morte do trabalhador rejeitaram que a mudança se devesse a influência política, mas antes a dados novos no caso.

A divulgação de documentos oficiais sobre a morte do homem foi uma das promessas de campanha do atual Presidente Yoon Suk Yeol, escreveu The Diplomat.