Internacional

Navio de ONG com 228 pessoas a bordo aguarda por porto para desembarque

1 julho 2022 14:33

ÊXODO. Um barco com dezenas de migrantes é escoltado pela guarda costeira italiana, junto à cidade siciliana de Catânia

fabrizio villa / getty images

Além do 'Ocean Viking' também o navio ‘Geo Barents’, da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), solicitou esta sexta-feira, com urgência, um porto para desembarcar 69 sobreviventes, incluindo várias crianças, de um naufrágio ocorrido a 28 de junho e no qual pelo menos 30 pessoas desapareceram

1 julho 2022 14:33

O navio humanitário ‘Ocean Viking’, da SOS Méditerranée, realizou, nas últimas horas, dois novos resgates no Mediterrâneo central, transportando agora 228 migrantes a bordo, anunciou a organização não-governamental (ONG) de ajuda humanitária.

Os dois resgates foram feitos na quinta-feira à noite, quando a tripulação do ‘Ocean Viking’ localizou “um barco de fibra de vidro em perigo, na escuridão total, com oito pessoas a bordo”, informou a ONG.

“Uma hora depois, foi realizado um outro resgate, o sexto desta missão, que salvou 14 pessoas, incluindo seis mulheres, que viajavam numa pequena embarcação e tinham passado mais de dois dias no mar”, adiantou a SOS Méditerranée nas redes sociais, acrescentando que “tem 228 náufragos a bordo [do ‘Ocean Viking’] e todos estão exaustos”.

Como em outras situações no passado, a ONG aguarda agora a atribuição de um porto seguro para efetuar o desembarque dos migrantes resgatados na rota central do Mediterrâneo, uma das rotas migratórias mais mortais, que sai da Líbia, Argélia e da Tunísia em direção aos territórios italiano e maltês.

Por outro lado, o navio ‘Geo Barents’, da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), solicitou também esta sexta-feira, com urgência, um porto para desembarcar 69 sobreviventes, incluindo várias crianças, de um naufrágio ocorrido a 28 de junho e no qual pelo menos 30 pessoas desapareceram.

O ‘Geo Barents’ tem ainda a bordo o cadáver de uma mulher grávida que morreu já no navio depois de a equipa médica ter tentado, sem sucesso, reanimá-la.

“Na ausência de cooperação de Malta, vários pedidos foram enviados às autoridades italianas. Uma resposta positiva deve ser dada já, porque esta situação não pode continuar”, disse a MSF.

Segundo os sobreviventes, havia cinco mulheres e oito crianças entre os desaparecidos, tendo cinco mães perdido os seus filhos, três dos quais eram bebés de um ano.

“Os sobreviventes estão exaustos. Muitos engoliram muita água do mar e várias pessoas ficaram hipotérmicas depois de passar muitas horas na água”, explicou a chefe da equipa médica dos MSF a bordo, Stephanie Hofstetter.

“Pelo menos 10 pessoas, a maioria das quais mulheres, sofreram queimaduras de combustível de nível médio e grave e precisam de tratamento além do que pode ser administrado a bordo”, acrescentou Hofstetter.

Durante a madrugada desta sexta-feira, chegaram 91 migrantes à pequena ilha italiana de Lampedusa.

O primeiro grupo, formado por 31 pessoas de origem subsaariana, foi resgatado por membros da capitania do porto a 18 milhas da ilha, e incluía cinco mulheres e um menor.

Os outros 60 migrantes foram localizados pela Guarda Costeira italiana quando estavam a 14 milhas da costa.

Segundo dados do Ministério do Interior de Itália, desde o início do ano chegaram às costas do país 27.424 migrantes, o que representa um aumento de 33% em relação ao mesmo período do ano passado, quando deram entrada 20.532 migrantes.