Internacional

Macron anuncia candidatura de França à organização da próxima Conferência dos Oceanos, em 2025

30 junho 2022 19:31

Salomé Fernandes

jornalista da secção internacional

ludovic marin

Em Lisboa para participar na Conferência dos Oceanos, o Presidente francês Emmanuel Macron indicou que o seu país pretende organizar a próxima conferência, defendeu a concretização do Tratado do Alto Mar e apelou à continuidade da "missão coletiva" de uma agenda de sustentabilidade mesmo em tempos de guerra

30 junho 2022 19:31

Salomé Fernandes

jornalista da secção internacional

Depois de sair da cimeira da NATO, o Presidente francês voltou-se para a crise ambiental. Emmanuel Macron esteve esta quinta-feira na Conferência dos Oceanos, onde defendeu que chegou a hora de se avançar com o Tratado do Alto-Mar. E aproveitou o momento para anunciar que a França vai candidatar-se à organização, em conjunto com a Costa Rica, de uma nova Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, em 2025. “Vamos usar este objetivo para nos ajudar a avançar coletivamente”, disse.

“Apesar das muitas dificuldades geopolíticas, da guerra na Europa - estive recentemente com muitos dos nossos colegas em Madrid, na cimeira da NATO – as Nações Unidas têm muito a fazer, claro, mas não devemos mudar a nossa missão coletiva de uma agenda de desenvolvimento sustentável”, defendeu Macron no arranque da sua participação em sessão plenária.

Um dos focos do discurso do líder francês foi o Tratado do Alto-Mar, frisando que está a ser discutido há sete anos - e que chegou o momento de o concretizar. De acordo com Macron, a coligação lançada com a União Europeia conta com “46 membros determinados a agir rapidamente”. Apesar de reconhecer avanços em áreas como as emissões de veículos e combate à desflorestação, apela que além de se cumprirem ações em terra deve proteger-se “o futuro dos oceanos”. "Todos nós, em conjunto, como fizemos para o Acordo de Paris em 2015, devemos definir objetivos ambiciosos para a biodiversidade e especificamente para os oceanos”, declarou.

Macron observou que o horizonte definido de 2030 está a aproximar-se e que “proteger o carbono azul” contribui para a proteção do clima e biodiversidade. “Sabemos que através destes objetivos de proteger a biodiversidade marinha, protegemos os oceanos, ajudamos com a ação climática e sequestro de carbono. Isto é menos de 1% da superfície do oceano, mas devido à capacidade para sequestração de carbono é um garante da nossa sobrevivência”, analisou.

O Ambiente foi um dos pontos de crítica durante o último mandato de Macron e uma das áreas em destaque nas eleições presidenciais francesas deste ano. Em tempo de campanha, Emmanuel Macron prometeu que sob a sua liderança o país seria “a grande nação ecológica”, quando tentava captar votos da ala esquerda.