Internacional

Trump quis conduzir em direção à rebelião do Capitólio

28 junho 2022 21:24

Ricardo Lourenço

Ricardo Lourenço

Correspondente nos Estados Unidos

samuel corum

Uma assessora da Administração Trump revelou esta terça-feira novos detalhes sobre a invasão da sede do Congresso americano, que incluem a “atitude enraivecida” do ex-chefe de Estado americano que chegou a pegar no volante da limusine presidencial e a afastar seguranças: queria juntar-se aos revoltosos de 6 de Janeiro de 2021

28 junho 2022 21:24

Ricardo Lourenço

Ricardo Lourenço

Correspondente nos Estados Unidos

O Comité da Câmara dos Representantes que investiga a invasão do Capitólio, ocorrida a 6 de janeiro de 2021, agendou uma sessão extraordinária para esta terça-feira, em pleno período de férias do Congresso americano, que coincidem com as celebrações do feriado de 4 de julho, Dia da Independência.

A surpresa do anúncio indiciava que algo bombástico seria revelado.

“O presidente estava irado”, disse Cassidy Hutchinson, ex-assessora de Mark Meadows, chefe de gabinete do antigo presidente dos EUA Donald Trump.

Ouvida ao longo de mais de duas horas pelos nove membros do Comité, Hutchinson descreveu um episódio desconhecido até hoje, que decorreu após o fim do comício que antecedeu a rebelião, motivada pela tese de que os resultados das eleições de 2020 teriam sido adulterados.

“Ele queria juntar-se aos manifestantes”, afirmou Hutchinson. “Quando entrou na “Beast” (limusina presidencial) e ouviu que tal não seria possível, pois teria de regressar à Casa Branca imediatamente, ele respondeu: Eu sou o presidente, foda-se!”

Segundo a assessora, que seguia na comitiva presidencial, assistiu-se a uma altercação entre Trump e a sua segurança. Contrariado, o magnata nova-iorquino pegou no volante da viatura e tentou alterar a rota.

Um dos agentes imobilizou o pulso esquerdo de Trump, que respondeu com violência, chegando a “aproximar a mão livre bem perto da garganta do indivíduo”.

Regressado à residência oficial, Trump insistiu querer juntar-se aos seus apoiantes e que o faria a pé. Nesse momento, a filha mais velha, Ivanka Trump, demoveu-o.

Note-se, ainda, que segundo a assessora, Trump culpou o seu vice-presidente pelo sucedido, e que, quando os revoltosos entoaram “enforquem Mike Pence”, o antigo líder americano disse: “ele merece”.

Ainda sobre o alegado papel do líder republicano na tentativa de golpe de Estado, foi revelado que, na noite anterior aos incidentes, Trump conversou com o velho aliado Roger Stone e com o ex-conselheiro nacional de segurança Michael Flynn, conhecido pelas suas ligações às milícias armadas de extrema-direita. Uma delas, Oath Keepers, participaria na insurreição.

Naquela mesma noite, Stone foi fotografado ao lado de membros da Oath Keepers, que, entretanto, já foram julgados e condenados pelos crimes de traição e sedição.

Questionado sobre este assunto durante um interrogatório agendado pelo Comité, Flynn recusou fornecer quaisquer detalhes.

O Expresso contactou Steve Bannon, o antigo estratego-chefe da Casa Branca, procurando uma reação ao que foi revelado hoje. Apesar da insistência, o operacional não respondeu às chamadas feitas para cada um dos seu quatro telemóveis.

Bannon, que terá, alegadamente, arquitetado a operação de 6 de janeiro de 2021, irá responder em tribunal pelo crime de desrespeito pelo Congresso, após ter recusado colaborar com o Comité.