Internacional

Documentário expõe vídeos racistas com crianças africanas vendidos em redes sociais na China

15 junho 2022 9:37

A pobreza e o trabalho infantil são um flagelo no país africano

amos gumulira/afp/getty images

Crianças do Maláui são filmadas a dizer frases racistas em língua que não compreendem. Vídeos são vendidos por 10 a 70 euros nas redes sociais chinesas

15 junho 2022 9:37

Um documentário produzido pela cadeia televisiva BBC expôs um esquema de exploração de crianças vulneráveis em África para produzir vídeos racistas. Estes são depois difundidos nas redes sociais chinesas, suscitando críticas do Governo do Maláui.

O documentário de 49 minutos, publicado segunda-feira, com o título “Racism for Sale” (Racismo à venda, em português), mostra como criadores de conteúdo chineses venderam vídeos de crianças no Maláui a gritar insultos raciais contra negros, em chinês. Num deles, que remonta a fevereiro de 2020, um grupo de crianças africanas foi instruído a repetir a seguinte frase, sem entenderem o que estão a dizer: “Sou um monstro negro e o meu QI [quociente de inteligência] é baixo”.

Como cliente, basta enviar o pedido, com a frase e requisitos, para o criador de conteúdo. Os vídeos não são apenas de conteúdo racista, incluindo muitas vezes desejos de feliz aniversário, bom ano novo, ou anúncios para empresas chinesas.

Ministra promete combate

Depois de analisar e cruzar centenas de vídeos semelhantes, com recurso a imagens de satélite do Google Earth, a equipa da BBC encontrou o local onde o vídeo foi filmado: uma vila nos arredores de Lilongué, capital do país africano.

Alguns dos vídeos identificados na investigação foram vendidos nas redes sociais chinesas Weibo e Huoshan, entre outras aplicações chinesas de partilha de vídeos. O preço varia entre o equivalente a 10 e 70 euros.

A ministra dos Negócios Estrangeiros do Maláui, Nancy Tembo, expressou “consternação” com o caso. “Estão a usar os nossos filhos para enriquecer, o que é mau. É algo que um malauiano não pode aceitar. Estão a desonrar-nos como malauianos.”

“A polícia e os assuntos internos estão a investigar e vamos envolver os nossos colegas chineses para ajudar a identificar este homem. Apelo às autoridades locais para estarem sempre alerta nas suas comunidades, e aos pais para protegerem sempre os seus filhos”, disse a governante, referindo-se ao autor dos vídeos.