Internacional

Nova onda de violência no Sudão: “quase 100 mortos e milhares de deslocados” em Darfur após conflito tribal

13 junho 2022 14:34

Mara Tribuna

Mara Tribuna

Jornalista

scott nelson

Uma disputa de terras entre tribos árabes e africanas em Darfur, no Sudão, escalou para um ataque de milícias a várias aldeias. Quase 100 pessoas morreram e milhares foram deslocadas

13 junho 2022 14:34

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Quase 100 pessoas morreram num novo golpe de violência em Darfur, no Sudão, depois de uma disputa de terras ter escalado para um ataque de milícias a várias aldeias nesta região do noroeste de África. Além das vítimas mortais e dos feridos, o conflito provocou milhares de deslocados, de acordo com Toby Harward, um coordenador do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) no Sudão.

“Relatórios credíveis que chegam à Agência das Nações Unidas para os Refugiados, no Sudão, indicam números horríveis de baixas em Kulbus, em Darfur, depois de uma disputa de terras se ter transformado num ataque das milícias a várias aldeias. Há quase 100 mortos e milhares de deslocados em localidades vizinhas”, informou esta segunda-feira Toby Harward através do Twitter.

É a mais recente onda de violência em Darfur: os combates resultaram de uma disputa de terras entre tribos árabes e africanas no distrito de Kulbus, na província ocidental de Darfur. As milícias árabes locais atacaram várias aldeias da região, forçando milhares de pessoas a fugir.

Segundo Abkar al-Toum, um líder tribal da cidade, citado pela agência noticiosa AP, pelo menos 62 corpos foram encontrados queimados, após as milícias terem incendiado mais de 20 aldeias. Muitas pessoas continuam desaparecidas. Abkar al-Toum afirmou ainda que os atacantes ganharam controlo dos recursos hídricos, o que agravou a situação humanitária na região.

O conflito no Darfur remonta a 2003. Nesse ano, as tribos africanas revoltaram-se e acusaram o governo — dominado pelos árabes — de discriminação. O governo de Al-Bashir foi acusado de retaliação ao armar as tribos árabes e ao desencadear ataques de milícias sobre os civis. A região viveu uma guerra civil entre 2003 e 2008.

Em outubro do ano passado, um golpe militar eclodiu no Sudão. O primeiro-ministro foi detido por militares. O presidente do Conselho Soberano, Abdelfatah al Burhan, dissolveu o Governo e o próprio conselho — um órgão fundamental no processo de transição do Sudão. As forças armadas dispararam contra manifestantes que rejeitaram o golpe na capital, Cartum, e foi decretado estado de emergência.

Desde então, Darfur tem voltado a ser palco de frequentes ataques de violência, principalmente devido a conflitos tribais, que provocam a morte de centenas de civis. A missão de paz das Nações Unidas que estava em vigor em Darfur terminou a 31 de dezembro de 2020.

Por isso, o responsável da ACNUR, Toby Harward, voltou agora a apelar a “uma necessidade urgente de forças conjuntas e neutras acabarem com a violência, protegerem civis e restaurarem a ordem; de autoridades judiciais investigarem e processarem milícias criminosas; e de líderes comunitários responsáveis iniciarem esforços de diálogo e coesão social”. Isto porque “se não houver intervenção ou mediação, e se a violência continuar, os agricultores não poderão cultivar e a época agrícola falhará. Isto seria desastroso para todas as comunidades. A liderança responsável precisa de pôr fim ao conflito”, escreveu na mesma publicação, no Twitter.