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Ataque de domingo a igreja na Nigéria fez pelo menos 50 mortos

6 junho 2022 17:00

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"Mais de cinquenta paroquianos da Igreja Católica de São Francisco, em Owo, estado de Ondo, foram mortos por homens armados que se suspeita sejam bandidos", disse o presidente nacional do Conselho de Leigos Católicos da Nigéria, Henry Yunkwap, em comunicado

6 junho 2022 17:00

Mais de 50 pessoas foram mortas no ataque realizado neste domingo por homens armados contra uma igreja católica no estado de Ondo, no sudoeste da Nigéria, revelou esta segunda-feira o Conselho de Leigos Católicos do país africano. O massacre ocorreu pela manhã na cidade de Owo, na paróquia de São Francisco.

"Mais de cinquenta paroquianos da Igreja Católica de São Francisco, em Owo, estado de Ondo, foram mortos por homens armados que se suspeita sejam bandidos", disse o presidente nacional do Conselho de Leigos Católicos da Nigéria, Henry Yunkwap, em comunicado.

Yunkwap disse que estava a falar na qualidade de "presidente de todos os leigos católicos aos quais pertencem as mais de cinquenta vítimas", e condenou o que classificou de "ato bárbaro realizado por animais em forma humana".

“O crime cometido pelos mortos foi apenas dois: um, eles eram cristãos e, segundo, porque estavam na igreja no domingo adorando a Deus”, acrescentou.

Yunkwap exigiu "ação e a prisão urgente e julgamento dos perpetradores do ato maligno".

"O que as vítimas agora querem do governo para que as suas almas descansem em paz é a certeza de que os seus assassinos serão presos e tratados de acordo com as leis do país", insistiu.

O deputado Oluwole Ogunmolasuyi, eleito pelo estado de Ondo, citado pelo jornal nigeriano The Premium Times, disse que o número de vítimas mortais poderá ser entre 70 e 100.

"Devemos esperar um número de mortos entre 70 e 100. Eu vi mais de 20 mortes, especialmente crianças", afirmou o deputado, que disse tratar-se de "um incidente muito triste" e "bárbaro".

O ataque, considerado como "hediondo assassínios de fiéis" pelo Presidente nigeriano, Muhammadu Buhari, e que não foi reivindicado, também provocou vários feridos, de acordo com as autoridades locais.

Segundo as mesmas fontes, foram mobilizadas forças de segurança para localizar os atacantes, cujas identidades são ainda desconhecidas.

No domingo à tarde, o papa Francisco reagiu numa declaração dizendo que tinha "tomado conhecimento do ataque à igreja em Ondo, Nigéria, e da morte de dezenas de fiéis, incluindo muitas crianças, durante a celebração do Pentecostes”.

"Enquanto os pormenores do incidente estão a ser esclarecidos, o papa Francisco reza pelas vítimas e pelo país, dolorosamente afetado num momento de celebração, e confia-os ao Senhor, para que envie o seu Espírito para os consolar", segundo um comunicado divulgado pelo Vaticano.

Em comunicado, a organização internacional Aid to the Church in Need (ACN, na sigla em inglês), através do seu secretariado português, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (Fundação AIS), denunciou a “brutalidade do ataque” e manifesta-se “profundamente chocada”.

A segurança continua a ser um grande desafio no país mais populoso e maior economia de África. No entanto, Ondo tem sido até agora uma região considerada relativamente pacífica, em comparação com outras regiões da Nigéria que se debatem com a insegurança e o extremismo islâmico.

Os ataques a sítios religiosos são frequentes na Nigéria, onde as tensões por vezes se fazem sentir entre comunidades de um país com o sul predominantemente cristão e o norte predominantemente muçulmano.

Soma-se a essa insegurança a ameaça extremista islâmica que assola o nordeste do país desde 2009, causada pelo grupo Boko Haram e, desde 2015, pela sua fação Estado Islâmico na Província da África Ocidental (ISWAP, na sigla em inglês).