Internacional

Migrações: OIM admite preocupação com aumento do uso da rota que passa pelo Iémen

31 maio 2022 14:49

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Nos primeiros cinco meses de 2022, mais de 27.800 pessoas usaram esta rota para atravessar a península somali, região também conhecida como Corno de África, para o Iémen

31 maio 2022 14:49

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) admitiu hoje estar preocupada com o crescente número de migrantes na “rota do leste”, que atravessa o Iémen, país em guerra desde 2014.

Nos primeiros cinco meses de 2022, mais de 27.800 pessoas usaram esta rota para atravessar a península somali, região também conhecida como Corno de África, para o Iémen, um número que quase iguala todas as chegadas registadas ao longo do ano passado, disse o porta-voz da OIM, Paul Dillon, numa conferência de imprensa hoje realizada.

Dillon lembrou que, em 2018 e 2019, esta rota migratória foi a mais movimentada do mundo (com 150.000 e 138.000 movimentos, respetivamente), ultrapassando as chegadas registadas no sul da Europa através do Mar Mediterrâneo.

O aumento do número de migrantes na “rota do leste” é explicado por múltiplos fatores, como o levantamento das restrições de mobilidade devido à pandemia de covid-19, a melhoria das condições climáticas no Golfo de Áden e a crescente insegurança em países como a Etiópia e a Somália, devastados por conflitos e vítimas de uma seca prolongada, explicou o mesmo porta-voz da OIM, agência que integra o sistema das Nações Unidas.

O destino final de muitos dos migrantes desta rota não é o Iémen, mas sim a Arábia Saudita e outros países prósperos do Golfo Pérsico.

Dillon expressou a sua preocupação com as condições humanitárias dos migrantes que usam esta rota para fugir da Península Arábica devido à exposição destas mesmas pessoas a violações dos direitos humanos, como raptos, explorações, detenções arbitrárias em condições desumanas e violência sexual.

“Os nossos parceiros locais informaram-nos que, este ano, mais de mil migrantes foram assassinados ou feridos em ataques indiscriminados, incluindo mulheres e crianças”, disse.

O porta-voz da OIM pediu à comunidade internacional que aumente os donativos para que as Nações Unidas possam manter ativos os seus programas de ajuda aos migrantes no Iémen, que somam atualmente cerca de 190 mil pessoas.