Internacional

Ex-militar irlandesa declarada culpada de pertencer ao Daesh

30 maio 2022 16:29

paul faith/getty images

Lisa Smith, de 40 anos e que abandonou o exército em 2011, foi absolvida da acusação de “financiamento de uma organização terrorista”, motivada por um donativo de 800 dólares, segundo ela destinado a fins humanitários

30 maio 2022 16:29

Uma ex-militar irlandesa foi esta segunda-feira declarada culpada de “pertença a uma organização terrorista”, considerando a justiça da Irlanda que ela se juntou e jurou lealdade ao grupo jiadista Daesh quando visitou a Síria, em 2015.

Lisa Smith, de 40 anos e que abandonou o exército em 2011, foi, em contrapartida absolvida da acusação de “financiamento de uma organização terrorista”, motivada por um donativo de 800 dólares, segundo ela destinado a fins humanitários. Essa quantia foi um contributo para o tratamento médico de um cidadão sírio na Turquia, explicou a antiga militar, que começou a chorar quando o veredito foi anunciado.

O juiz Tony Hunt, do tribunal especial irlandês, deu como provado que a antiga militar se deslocou conscientemente, na Síria, a uma zona controlada pelo grupo jiadista. Lisa Smith declarou-se inocente neste caso único na Irlanda, incidindo sobre acontecimentos que remontam ao período entre final de outubro de 2015 e o fim de 2019.

Durante as nove semanas do julgamento, a acusação esforçou-se por demonstrar como Lisa Smith, membro do exército irlandês entre 2001 e 2011, foi em 2015 a uma zona controlada pelo Daesh depois de se ter convertido ao Islão. Ela tinha feito em 2012 uma peregrinação a Meca e expressado na rede social Facebook o desejo de viver sob a sharia (lei islâmica) e morrer como mártir.

Era acusada de se ter juntado ao grupo jiadista e de se ter instalado em Raqa, na Síria, então controlada pelo Daesh, e de ter casado com um cidadão britânico que participava em patrulhas armadas do grupo. Regressou à capital irlandesa em 2019, após a queda do último bastião do Daesh, e foi detida à chegada, com a filha pequena, ao aeroporto de Dublin.

O seu advogado, Michael O’Higgins, argumentou que a presença da sua cliente numa área controlada pelo grupo jiadista não fazia dela um membro da organização e considerou impreciso descrever qualquer pessoa que viajasse para uma zona controlada pelo Daesh como um “combatente estrangeiro”, independentemente do papel que tenha de facto desempenhado.

O’Higgins acrescentou que o único ato que “poderia, em rigor, ser considerado uma forma de assistência” ao Daesh foi o facto de Lisa Smith manter uma casa com o marido.