Internacional

Governo espanhol garante que independentistas da Catalunha não foram espiados com programa Pegasus

17 maio 2022 23:17

O presidente do governo regional da Catalunha, Pere Aragonès, em Madrid diante do Parlamento, acusou os serviços secretos espanhóis de espiarem figuras independentistas catalãs

javier soriano/afp/getty images

Secretário de Estado da Segurança assegurou que “nem o Ministério do Interior, nem a Polícia Nacional, nem a Guarda Civil” usaram o programa para espiar 62 pessoas relacionadas com o processo de independência da Catalunha

17 maio 2022 23:17

O secretário de Estado de Segurança, Rafael Pérez, garantiu esta terça-feira que “nem o Ministério do Interior, nem a Polícia Nacional, nem a Guarda Civil” usaram o programa Pegasus para espiar os independentistas.

Rafael Pérez fez esta declaração na comissão senatorial do Interior, quando questionado pelos representantes da Geroa Bai, Koldo Martínez, e da ERC, Xabier Castellana, que lhe perguntaram se a Secretaria de Estado da Segurança ou outro organismo do Ministério do Interior tinha usado o programa Pegasus para espiar 62 pessoas relacionadas com o processo de independência da Catalunha.

“Nem o Ministério do Interior, nem a Polícia Nacional, nem a Guarda Civil usaram o Pegasus”, assegurou Rafael Pérez, que acrescentou: “Melhorámos o sistema SITEL (de escutas telefónicas) e não termos nada que esconder”.

Pérez recordou que o assunto está na justiça e pediu que se confiasse nos juízes e fiscais encarregados da investigação.

Um senador do PP, Fernando Martínez Maillo, perguntou-lhe se, tal como o do ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, o seu telemóvel tinha sido espiado e qual é o organismo do Ministério que controla a segurança das comunicações e se atua em coordenação com o Centro Nacional de Informações (CNI).

Rafael respondeu: “Não posso responder pelo CNI, (mas) se me pedirem não tenho problemas em mostrar o meu telemóvel a quem for pertinente fazê-lo, sem prejuízo das próprias funções de segurança que temos encomendadas no próprio Ministério do Interior, que permitem por via indireta fixar pelo menos umas cautelas mínimas de segurança para garantir a ordem das comunicações”.

Martínez Maillo perguntou-lhe, se o Ministério tem o seu próprio sistema de controlo das comunicações, porque não abriu uma investigação para saber para saber o que se passou com o telemóvel do ministro, optando por demitir a diretora do CNI, Paz Esteban, a pedido dos independentistas.

Acrescentou ainda, de forma crítica: “Estão de joelhos perante os seus parceiros, os que têm de espiar, e a mensagem para a nova diretora do CNI é a de que pode fazer tudo o quiser, menos investigar o independentismo”.

Rafael Pérez pediu ao senador do PP que “não faça um uso diferente” das suas palavras, sublinhando: “Insiste em que o CNI não depende do Ministério do Interior e há uma investigação aberta e se tiver de participar como secretário de Estado na mesma farei o que me for exigido”.

"A Polícia Nacional é neutral"

Por sua parte, o diretor-geral da Polícia, Francisco Pardo, garantiu na mesma comissão que a Polícia Nacional não usa o programa de espionagem Pegasus “porque não o tem” e que este corpo policial não se dedica a perseguir ideias políticas.

Na ocasião, foi questionado pelos representantes da Junts per Catalunya (JxCat), Josep Lluis Cleries, e da ERC, Xabier Castellana, que denunciaram o uso de instituições do Estado para reprimir cidadãos, violando direitos consagrados, referindo-se a “66 casos” de independentistas espiados com o Pegasus, dos quais “só 16 tinham autorização judicial” para o efeito.

“A Polícia Nacional é neutral, politicamente falando, e trabalha profissionalmente sem interferências políticas”, asseverou Francisco Pardo, que adiantou que, nas suas investigações, os agentes deste corpo policial usam o sistema de escutas telefónicas SITEL, mas sempre com autorização judicial.

Em resposta a Cleries (JxCat), o diretor da polícia disse: “A prova de que não se perseguem ideias políticas é o que o senhor está sentado nessa cadeira”.

E, dirigindo-se a Castellana (ERC), negou que haja organizações criminosas dentro da estrutura do Estado, uma vez que “a Polícia Nacional é uma instituição limpa e democrática e tem um código deontológico muito potente, bem como regulamento que sanciona condutas que se desviam da lei”.

Josep Lluis Cleries (JxCat) questionou-o se continua a existir a designada ‘Polícia Patriótica’.

Sobre este tema, Francisco Pardo respondeu que “o que a Polícia faz é procurar os que cometeram delitos, para os levar à justiça para que os juízes decidam”, e que “o que a faz grande (à Polícia Nacional) é que até expulsa do seu seio os que se afastam da lei”.