Internacional

Níger tem 360 mil refugiados fugidos da violência no Mali, Nigéria e Burkina Faso

4 maio 2022 17:06

António Guterres, em visita à Nigéria

afolabi sotunde/reuters

O Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), através de uma declaração, manifestou-se "preocupado com este aumento do número de refugiados, enquanto os ataques a civis estão a aumentar em frequência e violência”

4 maio 2022 17:06

Mais de 36 mil novos refugiados fugidos da violência no Mali, Nigéria e Burkina Faso chegaram ao Níger, entre janeiro e meados de abril, elevando o total para cerca de 360 mil, anunciaram hoje as Nações Unidas.

O Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), através de uma declaração, manifestou-se "preocupado com este aumento do número de refugiados, enquanto os ataques a civis estão a aumentar em frequência e violência”.

"Receio que teremos influxos regulares no Níger enquanto houver agitação nos países vizinhos", disse Emmanuel Gignac, representante do ACNUR no Níger, dizendo ser "imperativo" que o ACNUR e os seus parceiros mantenham "uma capacidade de resposta de emergência muito forte" na região.

Os recém-chegados do Mali estão a fugir dos combates entre o Estado Islâmico no Grande Saara (EIGS) e o grupo Movimento Tuaregue para a Salvação of Azawad (MSA), nas regiões setentrionais de Gao e Menaka, segundo o ACNUR.

Os refugiados nigerianos estão a fugir "do aumento dos saques, expropriações de propriedade, ataques e raptos por bandidos armados nos estados de Katsina e Sokoto, no noroeste do seu país", afirmou.

Quanto ao "deslocamento do Burkina Faso", este deve-se “à insegurança persistente e generalizada", de acordo com o ACNUR.

Esta agência das Nações Unidas salienta que os refugiados, "que são na sua maioria mulheres e crianças, precisam de abrigo, comida e água, artigos não alimentares e acesso a serviços básicos, tais como cuidados de saúde e educação”.

"O facto de chegarem e se instalarem em algumas das regiões mais áridas do Níger torna a sua situação ainda mais precária”, prosseguiu.

O Níger, particularmente a sua parte ocidental, enfrenta uma grave crise alimentar causada pela seca e pela violência terrorista que tem impedido os agricultores de cultivarem os seus campos, de acordo com a ONU e as autoridades nigerianas.

Tillabéri - localizado na chamada zona de três fronteiras entre Burkina Faso, Mali e Níger - e Tahoua, duas regiões vastas e instáveis, têm sido palco, desde 2017, de ações mortíferas por grupos armados ligados à Al-Qaeda e ao grupo do Estado Islâmico (EI), também muito ativos no Mali e no Burkina Faso.

O sudeste do Níger, em particular a região de Diffa, que faz fronteira com a Nigéria, foi atingido pelos ataques dos grupos terroristas nigerianos Boko Haram e do Estado islâmico na África Ocidental (Iswap).

Numa visita ao Níger e à Nigéria na terça e na quarta-feira, o secretário-geral da ONU, António Guterres, prometeu aos refugiados e a pessoas deslocadas em ambos os países que poderiam contar com ele para exigir mais ajuda da comunidade internacional.