Internacional

China anuncia acordo com Ilhas Salomão que prevê construção de base militar

19 abril 2022 13:02

O Presidente chinês, Xi Jinping (segundo a contar da direita) visitou as ilhas Salomão em 2019, tendo assinado convénios com o primeiro-ministro Manasseh Sogavare (terceiro a contar da esquerda)

parker song/pool/afp/getty images

Documento permite à polícia chinesa intervir no arquipélago para manter a ordem pública ou proteger os grandes projetos em que Pequim lá investiu. Estados Unidos e Austrália mostram-se preocupados

19 abril 2022 13:02

A China anunciou esta terça-feira ter assinado um acordo de segurança muito abrangente com as Ilhas Salomão, estado insular do Pacífico, numa altura em que vários países ocidentais, liderados pelos Estados Unidos, acusam Pequim de ter ambições militares naquele oceano. “Os ministros dos Negócios Estrangeiros da China e das Ilhas Salomão assinaram recentemente um acordo para cooperação em segurança”, afirmou à imprensa um porta-voz da diplomacia chinesa, Wang Wenbin.

Uma versão preliminar do acordo foi conhecida no mês passado. Causou uma onda de choque, porque incluía autorizações para a China estabelecer bases militares e navais naquele arquipélago do Pacífico. Outra disposição autorizava o destacamento de agentes da polícia chinesa armada, a pedido das Ilhas Salomão, para assegurar a manutenção da “ordem social”. Essas “forças chinesas” também seriam autorizadas a proteger “a segurança do pessoal chinês” e “os seus grandes projetos” do arquipélago, segundo o projeto divulgado.

No início de abril, o primeiro-ministro das Ilhas Salomão, Manasseh Sogavare, garantiu que não haveria base militar chinesa no seu país, mas não acalmou os temores da Austrália — que fica a 1500 quilómetros do arquipélago — e dos seus aliados. “Apesar das declarações do Governo das Ilhas Salomão, a natureza do acordo de segurança deixa a porta aberta para o envio de forças militares chinesas para as Ilhas Salomão”, sublinhou o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Ned Price.

A seu ver, “assinar um acordo desse tipo traria o risco de aumentar a desestabilização nas Ilhas Salomão e estabelecer um precedente preocupante para a região das ilhas do Pacífico como um todo”. Acresce que Salomão já está protegido por um tratado de segurança com a Austrália.

Estados Unidos e Austrália tentaram travar acordo

Tanto Camberra como Washington mostram preocupação com a possibilidade de a China construir uma base naval no Pacífico Sul que lhe permita projetar poder marítimo muito além das suas fronteiras. Os Estados Unidos mandaram a Salomão uma delegação diplomática de alto nível, para conter as ambições de Pequim.

À frente dessa missão estarão Kurt Campbell, membro do Conselho de Segurança Nacional com a pasta do Indo-Pacífico, e Daniel Kritenbrink, secretário de Estado adjunto para o Pacífico e Ásia Oriental, revelou na segunda-feira a presidência norte-americana. Os diplomatas vão também visitar as ilhas Fiji, a Papua Nova Guiné e o Estado norte-americano do Havai, para “aprofundar laços duradouros com a região e promover uma região do Indo-Pacífico livre, aberta e resiliente”, salientou a Casa Branca.

Um alto funcionário australiano deslocou-se na semana passada a Salomão para pedir a Sogavare que não assinasse o acordo com Pequim. O secretário de Estado americano, Antony Blinken, já viajara à região em fevereiro, para destacar o compromisso de Washington em desenvolver uma estratégia de longo prazo para conter as crescentes ambições chinesas.