Internacional

Ministério público alemão acusa jovem que preparava uma “guerra racial” na Alemanha

13 abril 2022 16:37

picture alliance/getty images

O jovem alemão, identificado como Marvin E., "foi acusado de ter tentado fundar uma organização terrorista e de ter preparado um ato de violência grave e perigoso" contra o Estado alemão, referiu o Ministério Público germânico num comunicado

13 abril 2022 16:37

O Ministério Público Federal da Alemanha anunciou esta quarta-feira a acusação de um alemão simpatizante de um grupo neonazi, suspeito de querer desencadear "uma guerra de raças" na Alemanha através de ataques com explosivos e armas de fogo.

O jovem alemão, identificado como Marvin E., "foi acusado de ter tentado fundar uma organização terrorista e de ter preparado um ato de violência grave e perigoso" contra o Estado alemão, referiu o Ministério Público num comunicado.

O suspeito, cuja idade não é divulgada, mas que era adolescente na altura dos factos, decidiu no verão de 2021 desencadear nos três anos seguintes “uma guerra civil de raças” para “preservar a população branca”, à semelhança da ideologia do grupo neonazi norte-americano ‘Division Atomwaffen’, do qual é simpatizante.

Esse grupo neonazi, formado por jovens, criado em 2015 nos Estados Unidos, ficou conhecido por campanhas de recrutamento em universidades, precisou o Ministério Público alemão.

O jovem recolheu informações sobre a compra de armas de fogo e adquiriu, pela internet, componentes que poderiam ser usados no fabrico de explosivos. Além disso, o jovem alemão planeava criar o seu próprio grupo, ‘Atomwaffen Division Hessen’, numa referência à cidade onde residia, no oeste do país. O acusado não teve tempo de agir, tendo sido detido pela polícia a 21 de setembro de 2021.

No início de abril, as autoridades alemãs realizaram uma grande operação nos meios terroristas de extrema-direita, no âmbito de uma investigação mais ampla envolvendo a polícia e os serviços de informações militares desde 2019.

Quatro suspeitos do grupo "Knockout 51" foram então detidos. As investigações em curso também visam o grupo de extrema-direita "Atomwaffen Division Deutschland". As autoridades alemãs consideram a violência de extrema-direita a principal ameaça no país, à frente do risco ‘jihadista’.

O assassínio em junho de 2019 de Walter Lübcke - um político do partido conservador que defendia o conjunto de ações para o acolhimento de migrantes da ex-chanceler Ângela Merkel –, cometido por um militante neonazi, abalou profundamente o país.