Internacional

Migrações: mais de 46 mil cubanos chegaram por terra aos EUA em cinco meses

6 abril 2022 9:28

anadolu agency / getty images

A Guarda Costeira intercetou 1.067 cubanos nos primeiros cinco meses do ano

6 abril 2022 9:28

Mais de 46.000 cubanos chegaram por terra aos Estados Unidos entre outubro de 2021 e fevereiro de 2022, um número superior aos 35.000 da crise de 1994, revela uma reportagem divulgada esta terça-feira pelo jornal Miami Herald.

Os números relativos a cinco meses superam o total de todo o ano de 2021, que já tinha atingido um novo máximo de 39.303, segundo dados do serviço norte-americano de alfândega e proteção fronteiriça (CBP, na sigla em inglês).

Em 1994 tinha ocorrido um êxodo semelhante, quando ‘balseiros’ se lançaram ao mar a bordo de embarcações precárias.

Naquela altura, cerca de 35.000 cubanos conseguiram chegar aos Estados Unidos, mas as condições difíceis da viagem causaram também milhares de mortos e desaparecidos.

A publicação Miami Herald liga o atual aumento do fluxo migratório de cubanos ao endurecimento das condições económicas e sociais em Cuba e à repressão desencadeada após os protestos antigovernamentais de 2021.

E noticia ainda que as chegadas de cubanos aos EUA por mar também estão em novos máximos.

A Guarda Costeira intercetou 1.067 cubanos nos primeiros cinco meses do ano, enquanto no mesmo período de 2021 foram detidos 838.

A maioria dos cubanos que chegaram pela fronteira com o México foram admitidos nos Estados Unidos, ao contrário dos que chegaram por mar, que foram na sua maioria deportados, acrescenta o jornal.

O Miami Herald aponta ainda que Cuba está no primeiro lugar no “índice de miséria”, produzido anualmente pela Universidade Johns Hopkins, devido ao aumento da inflação, escassez generalizada de produtos básicos e poucas perspetivas de recuperação do impacto económico da pandemia de covid-19 .

A isto soma-se o "ataque geral às liberdades civis" que o governo cubano lançou após os protestos de 11 de julho de 2021, que levaram à detenção de mais de 1.400 pessoas, incluindo menores, acrescenta a reportagem.