Internacional

Balanço de ataque na República Democrática do Congo sobe para 28 mortos

5 abril 2022 13:32

tony karumba/afp/getty images

Ataque no domingo à noite no nordeste do país foi atribuído aos rebeldes das Forças Democráticas Aliadas, um grupo rebelde de origem ugandesa

5 abril 2022 13:32

O número de mortos num ataque no domingo à noite no nordeste da República Democrática do Congo (RDC), atribuído aos rebeldes das Forças Democráticas Aliadas (ADF), ascendeu a 28, anunciaram esta terça-feira as autoridades locais.

"Esta manhã, estamos a preparar as equipas da Cruz Vermelha e alguns jovens para descer às zonas por onde passou o inimigo (…). Até ao momento, o balanço provisório é de 28 mortos", declarou aos media locais Kasereka Benga, líder da localidade de Masambo, onde ocorreu o ataque, segundo a agência EFE.

Masambo fica no território de Beni, que pertence à província de Kivu do Norte.

Na segunda-feira, o presidente da sociedade civil de Beni, Omar Kavota, adiantou à EFE um primeiro balanço, de 12 mortos, número que subiu após a descoberta de novos corpos.

Entre os mortos, confirmou o Exército congolês, está um comandante que foi abatido pelos milicianos durante o ataque.

As ADF são um grupo rebelde de origem ugandesa, mas atualmente tem bases no nordeste da RDCongo, perto da fronteira com o Uganda.

Segundo o escritório do Alto-Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (OHCHR), as ADF foram responsáveis por cerca de 1.260 mortes em 2021, convertendo-se no grupo armado mais letal da RDCongo.

As autoridades do Uganda acusaram as ADF de organizarem em novembro de 2021 três atentados suicidas dentro do seu território.

No entanto, os objetivos desta milícia são difusos, para além de uma possível ligação com o grupo extremista Estado Islâmico (EI), que às vezes assume a responsabilidade pelos seus ataques.

Embora os peritos do Conselho de Segurança da ONU não tenham encontrado provas de um apoio direto do EI às ADF, os Estados Unidos identificam desde março de 2021 estes rebeldes como "uma organização terrorista" filiada no grupo terrorista.

Com o objetivo de neutralizar as ADF, os exércitos da RDCongo e do Uganda iniciaram em finais de novembro uma operação militar conjunta em solo congolês que ainda continua.

A diretora da missão de paz da ONU na RDCongo (MONUSCO), Bintou Keita, reconheceu na semana passada, num discurso no Conselho de Segurança da ONU, que, apesar destas operações militares, o número de "vítimas civis e os deslocamentos das populações" aumentaram.

Desde 1998, o leste da RDCongo está mergulhado num conflito alimentado pelas milícias rebeldes e por ataques dos soldados do exército, apesar da presença da MONUSCO, com mais de 14.000 efetivos.