Internacional

Kiev, fortaleza barricada e cada vez mais vazia

27 março 2022 20:38

Henrique Botequilha (Texto) e Miguel A. Lopes (Fotografia) em Kiev

A capital ucraniana vive entre o silêncio de dois milhões de ausentes e a determinação dos que fazem a resistência

27 março 2022 20:38

Henrique Botequilha (Texto) e Miguel A. Lopes (Fotografia) em Kiev

Há uma sensação de ausência e vazio no Hospital de Okhmadyt, em Kiev. No átrio da maior unidade pediátrica da Ucrânia vagueiam funcionários, poucos enfermeiros e menos médicos. E quase não há crian­ças. Mas elas estão lá, nos pisos superiores, que há meses estavam hermeticamente isolados de uma pandemia de que já não se fala. Agora estão vulneráveis e expostas a uma ameaça impiedosa. Desde o início da invasão russa, a 24 de fevereiro, deram entrada 15 crianças feridas em tiroteios e bombardeamentos: a primeira no segundo dia de guerra; já morreu.

Logo depois, Volodymyr, ou Vova, 12 anos, atingido por quatro tiros nas costas, face e pernas disparados de um checkpoint contra o automóvel conduzido pelo pai, que perdeu a vida no local. Três intervenções cirúrgicas depois, o rapaz sobreviveu.