Internacional

Procurador que se demitiu da equipa de investigação garante que Trump é culpado

24 março 2022 21:24

Mark Pomerantz estava a investigar o ex-Presidente dos EUA quando se demitiu em fevereiro, em desacordo com o procurador distrital, por este ter decidido não avançar com uma acusação a Donald Trump. A carta de demissão foi agora divulgada

24 março 2022 21:24

Um antigo procurador de Manhattan que investigou os negócios de Donald Trump escreveu na sua carta de demissão que o ex-Presidente dos Estados Unidos é “culpado de numerosas violações da lei penal” relacionadas com declarações financeiras anuais. Mark Pomerantz demitiu-se a 23 de fevereiro e a carta foi divulgada pelo “The New York Times” esta quarta-feira.

“As suas declarações financeiras eram falsas e ele tem um longo historial de fabricar informações relativas às suas finanças pessoais e de mentir sobre os seus bens aos bancos, aos meios de comunicação e a muitos outros, incluindo ao povo americano”, escreveu o antigo procurador. A equipa de investigação “não tem dúvidas” de que Trump cometeu crimes, pode ler-se.

Os procuradores Mark Pomerantz e Carey Dunne demitiram-se no mês passado, depois de o procurador distrital de Manhattan, Alvin Bragg, os ter informado de que não estava preparado para avançar com acusações criminais, explica a CNN. As demissões seguiram-se a semanas de debate interno sobre a força das provas contra Trump.

De acordo com Pomerantz, o anterior procurador distrital, Cyrus Vance Jr., concluiu que “os factos justificavam a acusação e ordenou à equipa que apresentasse provas a um grande júri e pedisse uma acusação” do antigo Presidente “assim que possível”, algo que não aconteceu. Pomerantz explica que não podia continuar nas suas funções por acreditar que a decisão de Bragg de suspender a investigação e não acusar Trump é “errada e completamente contrária ao interesse público”.

O antigo procurador destaca ainda que “a grande maioria das provas diz respeito à gestão da Trump Organization”, anterior à presidência dos Estados Unidos. “Estes factos já estão datados e a nossa capacidade de estabelecer o que aconteceu pode desaparecer com o passar do tempo”, alerta na carta.

O gabinete de Cyrus Vance Jr. analisou mais de oito milhões de páginas relacionadas com o passado financeiro de Trump. O seu mandato terminou no final de dezembro do ano passado e Alvin Bragg tomou posse em janeiro. A porta-voz do atual procurador, Danielle Filson, garante que “a investigação continua”. “Uma equipa de procuradores experientes está a trabalhar todos os dias para seguir os factos e a lei”, acrescentou.

O advogado de Trump, Ronald Fischetti, disse à CNN que “não havia provas suficientes para acusar” o seu cliente. No início do ano, a procuradora-geral de Nova Iorque, Letitia James, revelou ter “provas significativas” de que a empresa de Trump enganou bancos ao inflacionar de forma fraudulenta os seus ativos.