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Causas da queda de avião na China continuam por apurar: pilotos não alertaram torre de controlo

23 março 2022 15:02

reuters

Membros da tripulação não responderam às chamadas dos controladores aéreos. A queda quase vertical do avião também causa estranheza

23 março 2022 15:02

Os pilotos do avião da China Eastern Airlines que caiu nas montanhas de Guangxi na segunda-feira com 132 passageiros a bordo não emitiram qualquer aviso de anomalias para a torre de controlo de Guangzhou. As causas da queda quase vertical da aeronave são desconhecidas e estão a ser analisadas. Até agora, não foram encontrados sobreviventes.

O diretor de segurança aérea da Administração da Aviação Civil da China, Zhu Tao, disse na terça-feira que os tripulantes do avião não responderam às repetidas chamadas dos controladores aéreos durante a sua rápida descida. Um representante da companhia aérea, Sun Shiying, assegurou que os membros da tripulação “estavam de boa saúde e a sua experiência de voo cumpria os requisitos regulamentares”. O comandante foi contratado em janeiro de 2018 e tinha um total de 6709 horas de voo, enquanto os restantes dois pilotos tinham 31.769 horas e 556 horas, respetivamente.

O Boeing 737-800 da China Eastern Airlines partiu de Kunming às 13h16 locais, às 14h17 entrou na região do destino, Guangzhou, mas três minutos depois perdeu altitude sem aviso prévio. Às 14h23, o radar deixou de receber sinais do avião, que seguia a 696 quilómetros por hora, de acordo com a Administração da Aviação Civil da China.

Já nesta quarta-feira, uma das duas caixas negras do avião foi encontrada, mas está “seriamente danificada” e não se sabe se se trata do gravador de dados de voo ou do gravador de voz do cockpit, anunciaram as autoridades chinesas. “Sabemos que antes do acidente houve uma queda súbita do avião num período de tempo muito curto”, mas dadas as informações disponíveis até ao momento, “ainda não há uma avaliação clara da causa do acidente”, cuja investigação será “muito difícil”, acrescentou Zhu Tao.

Queda quase vertical é invulgar

Dan Elwell, antigo representante da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos, explicou à Reuters que as falhas mecânicas em aviões comerciais modernos são raras em altitude de cruzeiro. “Os acidentes que começam em altitude de cruzeiro são geralmente causados pela meteorologia, sabotagem deliberada ou erro do piloto”, destacou.

O modelo 737 da Boeing já esteve envolvido em dois acidentes que causaram um total de 346 mortos: um voo da Lion Air na Indonésia em outubro de 2018 (189 mortos) e outro da Ethiopian Airlines em março de 2019, na Etiópia (157 mortos). No entanto, peritos não identificados pelo jornal espanhol “El Mundo” sublinham que é muito seguro e que não tende a descer tão baixo, quase verticalmente, a menos que haja algo que “force o nariz” para baixo, como um bloqueio mecânico ou uma manobra do piloto.

Daí que seja relembrado o caso do 737 da companhia aérea SilkAir, que em 1997 se despenhou na Indonésia, após uma descida de 32 segundos, causando a morte das 104 pessoas a bordo. O relatório final atribuiu a responsabilidade a um gesto deliberado do comandante do avião. Os peritos estão a cruzar os dados dos últimos três minutos desse voo com os últimos 180 segundos do voo da China Eastern devido à semelhança nos movimentos finais das duas aeronaves, de acordo com o diário espanhol.

As autoridades norte-americanas vão colaborar na investigação porque o avião foi fabricado nos Estados Unidos. A aeronave foi entregue a 22 de junho de 2015 e acumulou 18.239 horas de voo após 8986 voos. O último acidente deste género na China ocorreu quando um Embraer E-190 pilotado pela Henan Airlines caiu na cidade de Yichun, em 2010, provocando a morte de 44 das 96 pessoas a bordo.