Internacional

Noiva de filho de Trump intimada pela comissão que investiga ataque ao Capitólio dos EUA

4 março 2022 10:46

Foto: Getty Images

A comissão está a utilizar o poder de intimação para fazer com que Kimberly Guilfoyle, que se terá encontrado na Casa Branca com Trump no dia do ataque, coopere

4 março 2022 10:46

A comissão que investiga o ataque ao Capitólio dos Estados Unidos intimou esta quinta-feira Kimberly Guilfoyle, a noiva do filho mais velho do ex-presidente Donald Trump, após esta ter terminado subitamente de prestar declarações voluntárias na semana passada.

O painel da Câmara dos Representantes pretende obter declarações e registos adicionais de Guilfoyle, que terá tido contacto direto com os principais participantes e organizadores do ataque de 06 de janeiro de 2021.

Os congressistas também alegam que Kimberly Guilfoyle levantou fundos para o comício de Trump durante aquele dia.

“Guilfoyle encontrou-se com Donald Trump dentro da Casa Branca, falou no comício que ocorreu antes da invasão ao Capitólio e aparentemente desempenhou um papel fundamental na organização e arrecadação de fundos para esse evento”, destacou o congressista democrata Bennie Thompson, presidente do painel, em comunicado.

A noiva de Donald Trump Jr., acedeu inicialmente ao pedido da comissão para voluntariamente prestar declarações, mas durante a sua entrevista virtual, na sexta-feira passada, opôs-se à presença de congressistas e terminou com o diálogo.

A comissão está agora a utilizar o poder de intimação para fazer com que Guilfoyle coopere, medida que tem evitado recorrer junto de familiares de Trump, pois espera trazê-los voluntariamente.

Guilfoyle entregou uma série de documentos ao painel, mas este pretende agora saber mais sobre as reuniões com o ex-presidente e membros da sua família na Sala Oval da Casa Branca na manhã do ataque.

Esta investigação pretende apurar não apenas a conduta de Trump em 06 de janeiro de 2021, quando este apelou à multidão para “lutar incessantemente” contra o resultado eleitoral, mas também os esforços do republicano meses antes, na contestação da derrota eleitoral ou na obstrução a uma transição pacífica de poder.

O painel da Câmara dos Representantes apontou na quarta-feira que o ex-Presidente Donald Trump e colaboradores estão envolvidos numa “conspiração criminosa” para inverter os resultados das presidenciais de 2020.

A comissão “também tem uma base de boa-fé para concluir que o Presidente e os membros da sua campanha se envolveram numa conspiração criminosa para defraudar os Estados Unidos”, escreveu o painel num relatório apresentado no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Central da Califórnia.

Na resposta, o republicano referiu esta quinta-feira que “a verdadeira conspiração” nos Estados Unidos foi que os democratas cometeram fraude nas eleições de 2020 e que o único objetivo da comissão de investigação é impedi-lo de concorrer às eleições de 2024.

“Poucas coisas podem ser mais fraudulentas ou ter mais irregularidades do que as eleições presidenciais de 2020”, sustentou Trump, em comunicado.

O ex-presidente referiu como prova destas afirmações que “esta semana o procurador especial em Wisconsin solicitou a ‘descertificação’ das eleições de 2020 devido à ilegalidade massiva”.

“Isto é verdade em muitos outros estados, especialmente nos estados indecisos”, incluindo Arizona e Geórgia, acrescentou.

Trump acusou novamente a comissão de investigação de ser formada por “partidários políticos” e de “esconder factos” e também criticou os juízes do Supremo Tribunal norte-americano, por terem “medo de olhar”.

Também esta quinta-feira a médica Simone Gold, que defendeu o uso da hidroxicloroquina, medicamento não aprovado contra a covid-19 e apoiado pelo ex-presidente Donald Trump, declarou-se, esta sexta-feira, culpada de participar na invasão ao Capitólio.

Segundo documentos judiciais, a médica, de 56 anos, declarou-se como culpada no tribunal federal do Distrito de Columbia, depois de ter sido alvo de cinco acusações.

A confissão faz parte de um acordo judicial, pelo que quatro destas cinco acusações foram retiradas. Gold pode ser condenada até seis meses de prisão e a uma multa de 9.500 dólares.