Internacional

Ucrânia: França considera manobras na Bielorrússia “gesto de grande violência”

10 fevereiro 2022 10:32

Frame de um vídeo do Ministério da Defesa da Rússia sobre os exercícios conjuntos com as forças bielorrussas (foto: EPA/RUSSIAN DEFENCE MINISTRY PRESS SERVICE HANDOUT)

“São [manobras] de grande escala. Há uma acumulação de exercícios muito significativos, em particular junto das fronteiras com a Ucrânia”, diz Jean-Yves Le Drian, ministro dos Negócios Estrangeiros francês

10 fevereiro 2022 10:32

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da França considerou hoje um “gesto de grande violência” as manobras militares conjuntas entre a Bielorrússia e a Rússia que começam hoje em território bielorrusso perto da fronteira com a Ucrânia.

“São [manobras] de grande escala. Há uma acumulação de exercícios muito significativos, em particular junto das fronteiras com a Ucrânia”, disse Jean-Yves Le Drian em declarações à rádio pública France Inter.

“Por isso, somos levados a pensar que se trata de um gesto de grande violência, que nos preocupa”, acrescentou o chefe da diplomacia francesa. 

A Rússia é acusada pelos países ocidentais de estar a preparar uma nova operação militar contra Kiev, depois da anexação da Crimeia em 2014.

As acusações são rejeitadas por Moscovo que afirma querer obter garantias de segurança face ao “comportamento hostil” de Kiev e da Aliança Atlântica.

“Os anúncios que foram feitos referem que as manobras vão prolongar-se até 20 de fevereiro. Podemos imaginar que quando as manobras acabarem as forças (russas) vão retirar-se. Vamos ver, nessa altura, se isso vai acontecer”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros francês.

“Vai ser um teste com muito significado (…) Veremos se vai haver ou não um ‘processo de atenuação”, disse.

Na quarta-feira, o Presidência francesa referiu-se às iniciativas de Paris em Moscovo, Kiev e Berlim que permitiram “avançar” no sentido de “acalmar” a situação.

“O diálogo com os russos é ‘revigorante’, exigente e, às vezes, penoso”, sublinhou Le Drian, adiantando que a reunião entre os dois chefes de Estado, Vladimir Putin e Emmnanuel Macron, foi “um confronto e um pedido de explicações marcado por uma franqueza muito grande”.

“A força dessa deslocação (a Moscovo) foi a clareza de posições”, afirmou ainda o ministro francês, referindo-se também às discussões entre europeus e aliados da NATO.