Internacional

EUA cria plano para auxiliar norte-americanos na Ucrânia em caso de invasão russa

10 fevereiro 2022 9:03

Soldado de vigia em trincheira na Ucrânia Foto: Gaelle Girbes/Getty Images

Plano do Pentágono visa a construção de abrigos temporários para auxiliar na retirada de cidadãos norte-americanos em caso de invasão russa

10 fevereiro 2022 9:03

A Casa Branca aprovou um plano do Pentágono para que os seus militares destacados na Polónia construam abrigos temporários e possam auxiliar cidadãos norte-americanos numa eventual retirada da Ucrânia, em caso de invasão pela Rússia, foi hoje divulgado.

Esta é uma das muitas “eventualidades” para que as forças militares norte-americanas se estão a preparar, revelou à agência EFE fonte do governo de Joe Biden.

Apesar destas hipóteses, não existe nenhum plano para organizar uma retirada em grande escala, como aconteceu no verão passado no Afeganistão, acrescentou a mesma fonte que falou sob a condição de anonimato.

O Presidente dos Estados Unidos aconselhou na segunda-feira os cerca de 30.000 norte-americanos que vivem na Ucrânia a deixarem voluntariamente o país, através de “opções comerciais amplamente disponíveis”.

No entanto, Joe Biden decidiu aprovar este plano para o caso de, num cenário de invasão da Rússia à Ucrânia, existirem norte-americanos que procurem abandonar o país.

Este plano envolveria os 1.700 militares que o chefe de Estado norte-americano autorizou que fossem destacados para a Polónia na semana passada.

Estas tropas, da 82.ª Divisão Aerotransportada, não estão autorizadas a entrar na Ucrânia em caso de conflito, e não há planos para que participem em operações de evacuação aérea, como as que ocorreram no Afeganistão, segundo revelaram fontes oficiais ao canal televisivo CNN.

Mas nos próximos dias estes militares vão construir abrigos, como tendas e outras instalações temporárias, na fronteira polaco-ucraniana, segundo noticiou também a CNN e o The Wall Street Journal.

Num cenário de conflito, os norte-americanos de saída da Ucrânia teriam que chegar àquela zona da fronteira, por terra, com meios próprios e sem apoio militar, acrescentou o jornal de Nova Iorque.

A fonte da Casa Branca, que falou à agência EFE, referiu que os militares destacados na Polónia estão “treinados e equipados para diferentes missões” e que poderão adaptar-se ao que “a situação de segurança” exigir.

Mas lembrou que a situação na Ucrânia “é muito diferente do Afeganistão”, onde ocorreu uma retirada caótica de milhares de norte-americanos e afegãos, por ser o final “de uma guerra de 20 anos”, enquanto neste caso é o “tentar evitar de um conflito”.

A Ucrânia e os seus aliados ocidentais acusam a Rússia de ter concentrado dezenas de milhares de tropas na fronteira ucraniana para invadir novamente o país, depois de lhe ter anexado a península da Crimeia em 2014.

A Rússia nega qualquer intenção bélica, mas condiciona o desanuviamento da crise a exigências que diz serem necessárias para garantir a sua segurança, incluindo garantias de que a Ucrânia nunca fará parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO).