Internacional

Dinamarca admite autorizar tropas e armas dos EUA no seu território

10 fevereiro 2022 16:31

Mette Frederiksen. FOTO | LISELOTTE SABROE/Ritzau Scanpix/AFP via Getty Images

Mette Frederiksen explicou que essa possibilidade resulta de uma proposta de “cooperação bilateral de Defesa” apresentada pelos Estados Unidos fora do âmbito da Organização do Tratado do Atlântico Norte

10 fevereiro 2022 16:31

A Dinamarca poderá autorizar a presença de soldados e armamento dos Estados Unidos no país para facilitar a sua circulação na Europa, admitiu esta quinta-feira a primeira-ministra dinamarquesa, numa altura de tensões do Ocidente com a Rússia.

Mette Frederiksen explicou que essa possibilidade resulta de uma proposta de “cooperação bilateral de Defesa” apresentada pelos Estados Unidos fora do âmbito da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), a que pertencem os dois países.

“A forma exata que esta colaboração assumirá ainda não foi definida, mas poderá incluir a presença de soldados norte-americanos, equipamento e material militar em solo dinamarquês”, disse Frederiksen numa conferência de imprensa em Copenhaga, citada pela agência France-Presse (AFP).

Frederiksen disse que as negociações sobre o acordo não foram precipitadas pela tensão entre a Rússia e a Ucrânia, mas reconheceu que a crise atual ilustra a perspetiva dinamarquesa sobre a necessidade de um reforço da cooperação.

A chefe do Governo social-democrata disse ainda que o acordo em negociação com Washington aponta para uma cooperação semelhante à que os EUA têm com a Noruega.

O ministro da Defesa dinamarquês, Morten Bødskov, referiu que a iniciativa não significa que os EUA vão abrir bases no país nórdico, mas permitirá aos militares norte-americanos disporem de outras facilidades na Europa.

“A NATO e os Estados Unidos são os garantes da nossa segurança e é por isso que estamos lado a lado com os Estados Unidos quando os valores ocidentais como a democracia e a liberdade são desafiados”, disse Bødskov, durante a mesma conferência de imprensa.

Ao lado de Frederiksen e Bødskov, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Jeppe Kofod, disse que a Dinamarca é apenas um dos vários países europeus a intensificar as parcerias de defesa com os EUA.

“A liberdade não é de graça e os amigos aproximam-se em tempos de conflito. É isso que a Dinamarca e os EUA estão a fazer agora”, disse Kofod, citado pelo jornal dinamarquês em língua inglesa The Copenhagen Post.

A Dinamarca, que lutou ao lado dos EUA no Iraque, tornou-se um dos aliados mais próximos de Washington na Europa durante as últimas duas décadas, segundo a AFP.

No âmbito da crise na Ucrânia, a Dinamarca reforçou esta semana o nível de preparação de um batalhão de 700-800 soldados para que possa ser mobilizado pela NATO no prazo de 1-5 dias.

O Governo também deslocou dois caças F-16 para a ilha de Bornholm, no Mar Báltico, para proteger o espaço aéreo dinamarquês.

“Estamos a reforçar as nossas capacidades militares para podermos reagir mais rapidamente, se a situação assim o exigir”, disse o chefe das Forças Armadas, general Flemming Lentfer, à agência noticiosa dinamarquesa Ritzau na terça-feira.

O Governo de Copenhaga já tinha enviado uma fragata para o Mar Báltico e quatro F-16 para a Lituânia em janeiro, para reforçar o flanco oriental da NATO.

A Dinamarca é um dos países fundadores da NATO e é membro da União Europeia (UE).

A Ucrânia e os seus aliados ocidentais acusam a Rússia de ter concentrado dezenas de milhares de tropas na fronteira ucraniana para invadir novamente o país, depois de lhe ter anexado a península da Crimeia em 2014.

A Rússia nega qualquer intenção bélica, mas condiciona o desanuviamento da crise a exigências que diz serem necessárias para garantir a sua segurança, incluindo garantias de que a Ucrânia nunca fará parte da NATO.