Internacional

Pelo menos seis mortos em golpe de Estado falhado na Guiné-Bissau

2 fevereiro 2022 12:21

Foto: EPA/ António Amaral

A tentativa de golpe de Estado provocou pelo menos seis mortes e quatro feridos

2 fevereiro 2022 12:21

Pelo menos seis pessoas foram mortas na tentativa falhada de derrubar o Presidente da Guiné-Bissau ontem, avançou a rádio estatal esta quarta-feira. Entre os óbitos estão quatro assaltantes e dois membros da guarda presidencial.

O golpe de Estado falhado esta terça-feira, no palácio do Governo, provocou também alguns feridos. Segundo a Lusa, foram pelo menos quatro. Citando uma fonte do Hospital Simão Mendes, três feridos são ligeiros e um está em estado grave. 

O palácio do Governo foi cercado por militares e alvo de vários tiros às 15h de terça-feira, que duraram mais de cinco horas. No complexo governamental decorria uma reunião do Conselho de Ministros, com a presença do Presidente Umaro Sissoco Embaló e do primeiro-ministro Nuno Nabiam. A população guineense recebeu ordem para recolher.

Já ontem à noite, o Presidente anunciou que a situação estava sob controlo. Foi um “ataque à democracia” frustrado, classificou Umaro Sissoco Embaló. “As nossas forças de defesa e segurança conseguiram deter este mal”, disse aos jornalistas ao final do dia. 

Ainda não é claro quem esteve por trás do ataque, apesar de o Presidente guineense ter dito que os atacantes podem estar ligados ao tráfico de droga: “também tem a ver com a nossa luta contra o narcotráfico”, afirmou. Sissoco Embaló acrescentou que não foi apenas um golpe falhado, foi também uma tentativa de assassinato.

A tentativa de golpe de Estado já foi condenada pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, que apelou aos militares para regressarem às suas casernas (habitações/ dormitórios do quartel). O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, também apelou ao “fim imediato” dos “combates violentos” e ao “pleno respeito pelas instituições democráticas do país”.

Em Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa condenou os “atentados à ordem constitucional”, informação que transmitiu ao próprio Sissoco Embaló. O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, lamentou igualmente as “movimentações armadas” na Guiné-Bissau

A mesma mensagem foi transmitida pelo ministro da Defesa Nacional português. “Condenamos qualquer tentativa de golpe de Estado que possa haver, qualquer tentativa de utilização da força militar contra o poder político legítimo – condenamos, sem qualquer reserva.” João Gomes Cravinho apelou ainda a que “qualquer sublevação militar termine de imediato” e disse que o Governo segue a situação com “profunda preocupação”.

A Guiné Bissau já assistiu a quatro golpes de Estado e a mais de dez tentativas, desde a independência de Portugal, em 1974. Apenas um Presidente democraticamente eleito completou um mandato completo.