Internacional

Mali: Alemanha admite sair da força militar europeia

2 fevereiro 2022 14:12

O Mali expulsou esta segunda-feira o embaixador francês e está cada vez mais isolado face aos parceiros europeus

2 fevereiro 2022 14:12

A ministra dos Negócios Estrangeiros da Alemanha admitiu esta quarta-feira retirar os militares alemães do Mali, país que na segunda-feira expulsou o embaixador francês e está cada vez mais isolado face aos parceiros europeus.

“Tendo em conta as últimas medidas tomadas pelo governo do Mali, temos de nos perguntar honestamente se ainda estão presentes as condições para o sucesso do nosso compromisso comum”, disse Annalena Baerbock numa entrevista ao jornal alemão Süddeutsche Zeitung e citada pela agência de notícias France-Presse (AFP).

“O nosso compromisso não é um fim em si mesmo”, acrescentou a chefe da diplomacia germânica, dando mais um passo para a redução das forças especiais europeias Tabuka, que vão decidir ainda este mês a evolução da ajuda ao terrorismo no Mali.

Na segunda-feira, o governo francês anunciou que os países parceiros do agrupamento de forças especiais europeias Takuba vão adaptar “até meados de fevereiro” os seus dispositivos no Mali face ao “isolamento progressivo” deste país dirigido por uma junta militar, que chegou ao poder através de um golpe de Estado em agosto de 2020.

“A situação não pode continuar como está. Até meados de fevereiro vamos trabalhar com os nossos parceiros para ver qual é a evolução da nossa presença no terreno” e “planear uma adaptação”, disse na segunda-feira o porta-voz do governo francês, Gabriel Attal, em declarações à Franceinfo, no dia seguinte ao anúncio da expulsão do embaixador francês em Bamaco pela junta militar no poder.

Paris já decidiu reduzir a presença das suas unidades na força Barkhane deslocada no Mali.

Questionado sobre se esta presença será ainda mais reduzida até ser completamente retirada, o porta-voz do governo francês observou que Paris “reduziu gradualmente o tamanho da força, e continuará a fazê-lo”.

A França está “a adaptar a sua presença para se concentrar na luta contra o terrorismo”, disse Attal, mas “isto não é uma questão franco-francesa, nem uma intervenção franco-francesa”.

“O que é que podemos fazer? Não vamos decidir sozinhos o que fazer”, disse.

A expulsão do embaixador francês na segunda-feira, de que Paris “tomou nota”, “é mais um passo no isolamento demonstrado por esta junta” militar, insistiu o porta-voz, considerando que as discussões com o governo do Mali “se tornaram muito difíceis”.

“Não estamos perto de ver eleições” no Mali, inicialmente previstas para este mês de fevereiro, atendendo ao adiamento decidido pela junta, que prevê agora um período de transição de cinco anos.

Uma semana antes da expulsão do embaixador francês, a Dinamarca anunciou o repatriamento dos seus cerca de cem soldados deslocados no Mali, em resposta ao pedido junta no poder, que alegou nunca lhe ter sido pedido “consentimento” para a presença no país deste destacamento pertencente à Takuba.

O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Yves Le Drian, denunciou na altura o comportamento “irresponsável” da junta e advertiu que seriam retiradas “consequências” desta nova atitude de Bamaco, em declarações que antecederam a videoconferência sobre o futuro da Takuba no passado dia 28.

A Coligação para o Sahel reúne todos os países e instituições (G5 Sahel, União Europeia, ONU, entre outros) envolvidos no Sahel, seja na luta contra o terrorismo, no treinamento dos exércitos locais ou na ajuda ao desenvolvimento.

Este coligação foi lançada em Pau, sudoeste de França, em janeiro de 2000 pelos Estados-membros do G5 Sahel (Mali, Mauritânia, Chade, Níger e Burkina Faso) e pelos seus parceiros internacionais, com o propósito oferecer uma resposta aos desafios da região que fosse além do quadro militar.