Internacional

EUA reforçam contingente militar no leste da Europa após falhanço das conversações sobre a Ucrânia

2 fevereiro 2022 15:41

Soldado ucraniano na fronteira com a Rússia Foto: Getty Images

Tropas norte-americanas deverão dirigir-se para Alemanha, Polónia e Roménia

2 fevereiro 2022 15:41

O Presidente dos Estados Unidos deverá anunciar esta quarta-feira o envio de tropas para a Alemanha, Polónia e Roménia. Os militares norte-americanos deverão reforçar a resposta aliada a uma eventual invasão da Ucrânia por parte da Rússia, avançam várias fontes do Pentágono citadas pelo jornal “The Guardian”.

De acordo com o jornal britânico, a decisão de Joe Biden surge na sequência do aumento da concentração de tropas russas na fronteira com a Ucrânia, depois do falhanço das conversações entre Moscovo e Washington para desanuviar a tensão na região.

Na semana passada, 8500 militares norte-americanos, incluindo unidades da força aérea, foram colocados em alerta máximo para estarem prontos a ser mobilizados. Um responsável norte-americano afirmou que estas tropas fariam parte da Força de Resposta da NATO (NFR, na sigla inglesa) na frente leste, face a um potencial ataque russo contra a Ucrânia. O Reino Unido também já reforçou as tropas britânicas na região, com Boris Johnson a querer enviar uma “mensagem clara” a Vladimir Putin.

Até ao momento, a NATO ainda não ativou a NFR. Esta decisão requer o acordo dos 30 Estados-membros. Para já, nem Biden nem o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, foram claros sobre a hipótese de as forças da NATO entrarem em território ucraniano.

Segundo o “Guardian”, a decisão de Biden surge após a troca de documentos entre os EUA, Rússia e NATO e uma série de telefonemas entre os ministros dos Negócios Estrangeiros dos dois países. Nestes documentos, os envolvidos determinam as respetivas posições sobre a segurança da Europa.

As cópias das propostas confidenciais dos EUA e NATO foram alvo de fuga de informação e divulgadas pelo jornal “El País” esta quarta-feira. A autenticidade dos documentos não foi confirmada pelos autores, mas a RIA Novosti (agência de notícias estatal russa) cita uma fonte do Kremlin que afirma serem verdadeiros. Moscovo nega no entanto estar por detrás da fuga de informação, que acontece um dia depois de Putin ter acusado os EUA de “ignorarem as principais exigências” da Rússia.

Nas propostas, os EUA sugerem várias áreas de negociação e mostram abertura a medidas para construir confiança entre as partes. Entre as hipóteses em cima da mesa, o país liderado por Biden mostra-se disposto a limitar os mísseis enviados para a Europa e as tropas na Ucrânia. Isto se a Rússia recuar os seus contigentes e assumir compromissos recíprocos. Contudo, tanto o país como a aliança rejeitam taxativamente qualquer compromisso no direito da Ucrânia se juntar à NATO. Uma das principais exigências russas é impor garantias de que a NATO não se expandirá mais para leste.